Celebrar, em comunhão de Igreja, a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, deve ser motivo de muita alegria, muita ação de graças, muita aprendizagem. A Eucaristia é uma escola de amor. Com os seus três polos: celebração, comunhão e sacrário, torna-se o cume da vida cristã, o momento mais divino das nossas vidas. Deixámos o lava-pés na Quinta-Feira Santa, na missa da tarde, da Ceia. Mas segundo o Evangelho o lava-pés tem de ser atitude diária para preparar e viver bem a Eucaristia. Sem lava-pés, não há verdadeira celebração. Aprender e ter o coração de joelhos para servir e amar, pois só assim nos preparamos bem para a celebração. O mesmo é dizer que precisamos de comungar os outros em nosso coração e nas nossas vidas antes de comungar o Corpo e Sangue de Cristo. Sejamos coerentes, para sermos mais dignos do mistério divino que celebramos. Preparemo-lo com o coração, de joelhos, servindo e amando.
E terminada a Eucaristia, porque fomos à escola da caridade, do amor, já que Jesus, em cada celebração, em cada comunhão, em cada adoração, se dá todo a nós, aprendamos nessa escola de amor. Terminada a Missa, levemos a Eucaristia para casa, para o emprego, para a escola, para a universidade, amando ao jeito de Jesus. Se Ele se faz alimento, em Corpo e Sangue, na escola da Eucaristia temos que aprender, cada dia, a sermos alimento para que os outros sintam o amor de Deus através de nós, para que vivam mais felizes. A celebração, como escola de amor, deve-nos lançar para o mundo, como servos, como amigos, com o coração em fogo, para amar e servir, sobretudo os mais pobres, os doentes, os marginais, os que vivem em desertos sem pão, sem amor, sem Deus.
Celebrar esta Solenidade não pode ser somente mais um dia feriado, ir à Eucaristia porque é dia de preceito, participar na procissão eucarística do Corpo de Deus. São João Paulo II ensinou-nos, no ano dedicado à Eucaristia, que ela tem de ser, deve ser, escola de amor, que é dom e serviço. Deste modo, a celebração não se reduz a 30 ou 45 minutos, mas se se prolonga para lá do rito, teremos 24 horas de vida eucarística, centrados no mistério por excelência. Sermos, porque unidos a Jesus, uma Eucaristia viva, preparada com o “coração de joelhos” e continuada ao longo do dia ou da semana, no dom de nós próprios, sempre para mais amar e servir. Como seriam diferentes as famílias, as paróquias, as comunidades, se a Eucaristia, o dom do Corpo e Sangue de Jesus, fosse vivido deste modo.
* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.
