LabOratório reuniu em Portimão músicos de todo o país - Ponto SJ

LabOratório reuniu em Portimão músicos de todo o país

A quarta edição do labOratório decorreu pela primeira vez fora de Lisboa, reunindo em Portimão 60 participantes de várias dioceses. Entre formação, oração e criação musical, a semana reforçou o serviço da música na liturgia.

Portimão acolheu, ao longo da última semana, a quarta edição do labOratório, que terminou no passado domingo. Depois de três edições marcadas por características muito próprias, esta representou um novo passo na história do projeto: pela primeira vez, o labOratório saiu de Lisboa para ir ao encontro de outras comunidades.

A escolha de Portimão resultou de um processo de discernimento da equipa, sustentado também por uma sondagem realizada junto dos participantes das edições anteriores. Entre os muitos frutos apontados emergia uma convicção comum: era tempo de levar o labOratório para fora da capital e aproximá-lo de outras realidades eclesiais. Pouco a pouco, a hipótese de Portimão ganhou forma e revelou-se o lugar certo para esta nova etapa.

A quarta edição decorreu nos espaços da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, entre a igreja paroquial e o Centro Social, enquanto o grupo ficou alojado na Escola Dom Martinho de Castelo Branco, que generosamente abriu as suas portas ao projeto.

Como é habitual, os dias foram marcados pelo ritmo da liturgia e da oração comunitária, procurando recentrar continuamente o coração n’Aquele que é o centro da vida e da missão de todos os participantes. Cada manhã começava com a oração de Laudes, seguida de uma das novidades desta edição: o labPastoral, um tempo de conversa e reflexão orientado por Diogo Couceiro sj, dedicado a aprofundar critérios e opções para um serviço mais consciente da música na liturgia.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Ao longo da manhã decorreram os diferentes labPráticos, dedicados ao desenvolvimento das competências musicais dos participantes. O labCanta, orientado por Maria João Sousa e Rui Aleixo, centrou-se na técnica vocal e coral; o labToca, orientado por Carolina Portela, trabalhou a prática instrumental de conjunto e a improvisação ao serviço da celebração; o labMaestro, conduzido por Nuno Almeida, dedicou-se à direção coral e à liderança musical; e o labCria, orientado por Maria Portela, com tutorias do P. Duarte Rosado sj e de Diogo Couceiro sj, desafiou os participantes a criar novo repertório litúrgico.

Depois do almoço, o grupo reunia-se para o labEscuta, orientado por Maria Portela, um espaço de escuta comentada de obras da tradição clássica, procurando educar o ouvido para a beleza presente em diferentes linguagens musicais e descobrir como diversos compositores deram voz aos mesmos textos da Sagrada Escritura.

As restantes horas da tarde eram dedicadas aos ensaios gerais, orientados por Ana Isabel Pereira, onde se preparou o novo repertório encomendado para esta edição e reunido no Livro Jade: composições inéditas, de diferentes linguagens musicais, pensadas para enriquecer a celebração litúrgica e experimentadas ao longo da semana. Cada dia culminava com a celebração da Eucaristia juntamente com a comunidade paroquial de Nossa Senhora do Amparo.

Além do programa formativo, o labOratório promoveu uma oração de Taizé aberta à comunidade local e encerrou a semana com o já habitual Concerto Final, na igreja paroquial, reunindo participantes, familiares, amigos e membros da comunidade.

Uma das notas mais marcantes desta quarta edição foi a diversidade do grupo reunido em Portimão. Participaram 60 pessoas, entre as quais 46 formandos, oito formadores e seis elementos da equipa de apoio, provenientes de contextos muito distintos e maioritariamente ligados a paróquias, grupos de jovens e agrupamentos de escuteiros. Vieram de dioceses tão diversas como Braga, Porto, Coimbra, Guarda, Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Algarve, formando, ao longo da semana, uma verdadeira comunidade.

O que mais me surpreendeu, foi o quanto Deus me falou durante a semana, não só através da Música, mas sobretudo através das pessoas. Sinto que ao longo da semana, a música foi a chave que me fez olhar a vida, eu próprio e os outros de uma nova perspetiva.

Francisco Dores, 24 anos, Castro Verde (Beja)

Também os caminhos que conduziram cada participante ao labOratório foram diferentes. Miguel Domingos, de 22 anos, de Secório, na Diocese de Santarém, chegou ao projeto depois de uma catequista lhe ter sugerido uma das músicas do labOratório. A curiosidade levou-o a descobrir que haveria uma nova edição e, apesar do receio de não possuir formação musical suficiente, decidiu inscrever-se. No final da semana, dizia ter percebido que “o segredo está no grupo, em saber escutar quem está à nossa volta”, regressando a casa “com mais conhecimentos, mais confiança e a certeza de que a música se faz com notas, mas ganha sentido quando é colocada ao serviço dos outros”.

A experiência também marcou Francisco Dores, de 24 anos, de Castro Verde, na Diocese de Beja. Descobriu o labOratório através do Spotify e, depois de algumas pesquisas, percebeu que tinha encontrado “um espaço onde a Fé e a Música se encontram”. Ao longo da semana, sentiu que Deus lhe falou não apenas através da música, mas também por meio das pessoas que encontrou. Por isso, resume a experiência como um aprender a “abrir o livro da felicidade de Cristo com a chave da música”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Já Rita Brochado, de 38 anos, de Sintra, conheceu o projeto através de uma formação realizada na sua vigararia e guardou desde então o desejo de participar. Procurava inspiração para o serviço musical na sua paróquia e um tempo para parar e rezar. No final da semana destacou a simplicidade, a alegria e a diversidade do grupo, bem como os momentos do labEscuta e do labPastoral, confessando ter regressado a casa “fisicamente cansada, mas de coração cheio”.

Com o Concerto Final e a celebração de envio terminou uma semana intensa de formação, oração e convivência. Mas, para os participantes, o verdadeiro labOratório começa agora, no regresso às suas comunidades. Espalhados de norte a sul do país, levam consigo novo repertório, novas ferramentas e, sobretudo, um renovado desejo de colocar a música ao serviço da liturgia, ajudando cada assembleia a rezar com mais beleza, verdade e profundidade.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Redigido por Diogo Couceiro, sj, coordenador do labOratório.


O labOratório teve a sua primeira edição em 2017, no Colégio das Caldinhas, e, desde então, teve já outras três edições (2019 e 2021), além de outros encontros e participações. Cada encontro consistiu numa semana intensiva de experiência, aprendizagem e descoberta da beleza da música na liturgia, ao longo de oito dias, dedicados a rezar, criar e partilhar.