JRS Portugal: 2021 em revista

Comissão do Apostolado Social dos Jesuítas quer dar a a conhecer melhor as obras inacianas que compõem o setor social da Companhia de Jesus em Portugal. Hoje falamos de migrantes e do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Comissão do Apostolado Social dos Jesuítas quer dar a a conhecer melhor as obras inacianas que compõem o setor social da Companhia de Jesus em Portugal. Hoje falamos de migrantes e do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

O ano de 2021 ficou marcado pelo aumento de conflitos e do número de deslocados e refugiados em vários países, entre eles, Moçambique e Afeganistão. Não podendo ficar indiferentes, o JRS Portugal procurou mobilizar os seus recursos e desenvolver respostas que ajudassem a mitigar o sofrimento das pessoas forçadas a deixar o seu país, a sua família e toda a sua vida para trás.

Em julho de 2021, em resposta às violações de direitos humanos da população de Cabo Delgado, a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), entidade coordenada pelo JRS, angariou fundos com o objetivo de garantir a ajuda humanitária necessária aos deslocados internos. Paralelamente, criámos uma campanha de sensibilização, criando packs “Anti-Experiência” com o propósito de contar ao mundo as histórias e as experiências que ninguém deveria viver.

Em agosto de 2021, o mundo virou-se para o Afeganistão, com o regresso ao poder dos talibãs. Como organização coordenadora da PAR, o JRS partiu para a ação com a ativação do “PAR Linha da Frente”. Em novembro, o JRS conseguiu trazer e reunir 300 cidadãos afegãos através de um projeto de resgate e acolhimento financiado pela Romulus T. Weatherman Foundation, com o apoio do governo português.

Neste acolhimento de emergência, assumimos um desafio exigente: assegurar que as pessoas eram recebidas em condições dignas, em centros de acolhimento, enquanto, em paralelo, procurávamos soluções de habitação autónoma onde as famílias pudessem construir o seu projeto de vida.

Sabemos que a habitação é um dos maiores desafios no que diz respeito à integração de pessoas refugiadas, pelo que contámos, ao longo deste ano, com o apoio essencial da sociedade civil e de parcerias com autarquias. Contámos também com o apoio de associações e empresas, paróquias, pessoas a título individual, grupos de amigos, de todos os que sentem a nossa missão no coração e que sentiram a nossa compulsão de ajudar.

Para ajudar no acolhimento, na preparação das casas e no acompanhamento com vista à integração, contámos com o apoio incondicional dos nossos voluntários. Foi com esta intenção que criámos as Comunidades de Hospitalidade: grupos de voluntários que se juntam em cada distrito do país e nos apoiam e facilitam nas mais variadas tarefas de acolhimento e integração.

No entanto, não foram só estes os desafios que encontrámos.

2021 foi o ano da “normalização” da pandemia em todos os sentidos: no modo de trabalhar, no modo de viver e no modo de socializar. E, não obstante todos os constrangimentos associados, neste ano atendemos mais de 16 mil pessoas de 97 nacionalidades diferentes, um aumento de 12% relativamente ao ano anterior.

E porque é nossa missão dar voz a quem não a tem, continuámos o nosso caminho de sensibilização da sociedade civil e dos decisores políticos, para que todos tomassem o seu papel na proteção dos mais vulneráveis. Em março, quando se assinalou um ano da morte de Ihor Homeniuk, lançámos a campanha “Não Há Crime, Não Há Prisão” contra a detenção de imigrantes por meras irregularidades administrativas, que contou com uma petição pública e uma forte presença nas nossas redes sociais e na comunicação social. Fruto desta campanha, apresentámos as nossas recomendações ao Sr. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, partidos e decisores políticos, onde recomendámos alterações legislativas concretas para que mais ninguém fosse detido por querer trabalhar e contribuir para o nosso país.

Ainda no âmbito do nosso trabalho de advocacy, apresentámos no dia internacional do migrante, a 18 de dezembro, o “Livro Branco 2021 – os direitos dos imigrantes e refugiados em Portugal” onde sumarizamos os maiores obstáculos à integração de migrantes e refugiados, acompanhado de  recomendações concretas e práticas, de polícias públicas que em nosso entender contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, onde os direitos dos mais vulneráveis são respeitados .

Ao longo do ano reconhecemos grandes exemplos do que a sociedade civil portuguesa e os portugueses são capazes de se mobilizar e responder, com eficácia, aos maiores desafios do nosso tempo, como são as crises de refugiados.

Sabemos que o contexto atual é instável e incerto, mas não perdemos nunca a esperança de que um dia as fronteiras deixarão de ser locais de sofrimento e desespero, para dar lugar a pontos de encontro, amor e união.

Talvez, quem sabe, esse dia esteja perto. Talvez, quem sabe, seja em 2022!

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.