“Quando deixamos de falar daquilo que nos divide, o que resta é a violência”. O autor desta frase, Charlie Kirk, foi morto no campus da Utah Valley University enquanto argumentava com um estudante numa das suas iniciativas “Prove me wrong”.
Charlie Kirk não foi um moderado, um conciliador ou um pacificador. Acreditava no poder de uma boa discussão, em conversas sinceras, honestas, abertas, sem receios. Professava uma fé inabalável na argumentação e na necessidade de encontros cara a cara, em que os interlocutores se expõem ao contraditório, sem seguranças nem paliativos.
Montava a sua banca – em que se podia ler “prova-me que estou errado” – nos liceus e universidades dos EUA com uma só intenção: falar com quem discordava dele. Bastava aproximarem-se do microfone e apresentarem o seu argumento.
Charlie Kirk começou a promover estes eventos pouco depois de acabar o ensino secundário e já o fazia há mais de uma década. Montava a sua banca – em que se podia ler “prova-me que estou errado” – nos liceus e universidades dos EUA com uma só intenção: falar com quem discordava dele. Bastava aproximarem-se do microfone e apresentarem o seu argumento.
As suas interações eram muitas vezes polémicas, fosse pela assertividade com que desafiava os seus interlocutores a apresentarem os seus argumentos, fosse pela contundência na apresentação das suas convicções. Esta frontalidade e crueza eram o fermento de muitos vídeos curtos que se tornavam virais, para gáudio de uns e indignação de outros.
Charlie Kirk foi morto a fazer aquilo a que dedicou a sua vida. Foi morto porque arriscou debater a sua visão de EUA e do mundo com qualquer um, em espaço aberto. Foi morto porque arriscou argumentar com quem pensa de forma diferente. Foi morto porque, convicto conservador, ousou romper a bolha e levar aquela visão até às escolas e universidades norte-americanas, onde entendia que vozes como a sua eram demasiadas vezes silenciadas e marginalizadas.
Charlie Kirk é pai de duas crianças e marido da Erika. E, doravante, por demérito dos seus algozes, ícone da liberdade de expressão e da primazia da discussão
Recuso-me a ver a sua morte como uma derrota. Ela confirma a necessidade de reaprendermos a falar abertamente sobre aquilo em que acreditamos, sem receio de expor-nos ao confronto com outras visões e ainda menos a que contestem as nossas convicções fundamentais. Se a sua vida foi inspiradora, o seu assassinato reitera a urgência do nosso reencontro uns com os outros, a necessidade de sentar-nos e falarmos sobre o que nos preocupa e o que nos dá esperança, com pessoas de todas as opiniões, credos e raças.
Charlie Kirk é pai de duas crianças e marido da Erika. E, doravante, por demérito dos seus algozes, ícone da liberdade de expressão e da primazia da discussão. Convém honrar a sua memória preservando aquilo que, para ele, era fundamental: conversas livres, honestas e francas, sem rodeios, com respeito pelo outro, mas sem deixar de expressar discordâncias e de apontar o que se entende ser a melhor proposta.
* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.
