Regras para reaprender a conversar
Temos dificuldade em habitar um espaço sem opinião. Talvez esta seja uma das grandes contradições do nosso tempo: diálogo, liberdade, escuta e silêncio, mas dificilmente nos predispomos a isso.
Temos dificuldade em habitar um espaço sem opinião. Talvez esta seja uma das grandes contradições do nosso tempo: diálogo, liberdade, escuta e silêncio, mas dificilmente nos predispomos a isso.
Será um erro considerar que esta é uma encíclica para fora, que trata da Inteligência Artificial e a ser lida pelos “homens de boa vontade”, porque aquela também é um tratado sobre a Igreja que somos chamados a ser.
As palavras ditas com serenidade por Leão XIV devem ser uma referência: “Não tenho medo da administração Trump, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é aquilo que acredito ser a minha missão, a missão da Igreja”.
Na verdade, a discussão em torno da inclusão de Saramago é uma cortina de fumo para aquilo que esta e as anteriores propostas pedagógicas apresentam: uma perigosa reestruturação do ensino assente na simplificação.
Passamos a vida a tirar as espinhas a Deus. Alguns para fazer dele um pega-monstro ou um boneco antisstress. Alguns para afiar as vértebras. Confunde-nos um Deus que nos leva demasiado a sério.
Sem finalidade, sem estrutura moral, a ação política degenera: ou em pura técnica, que gere sem orientar; ou em paixão desgovernada, que reivindica sem propor.
Leão XIV é alguém capaz de ser um Papa dos matizes, que possui uma linguagem para interpretar a revolução antropológica, capaz de entender velocidades, gostos, sensibilidades, sem que cada uma delas corresponda a uma sentença de exclusão.
O primeiro lugar da ação do Espírito Santo é a carência e o desconforto. O Conclave é uma inquietação que atravessa o deserto.
A esperança é o alargamento da estreiteza: o espaço completo. A esperança é a recusa da parcialidade. E se essa parcialidade é uma forma de egoísmo, o que há-de resgatar-nos é essa ferida rasante da completude.
Numa sociedade polarizada, numa Igreja que reflete aquilo que a circunda, precisamos – preciso – de ser menos sectários e de deixar de lado as nossas – minhas – obsessões. Não é só no exterior da Igreja que há muito individualismo.