A prevenção do bullying está nas mãos de todos

Assinala-se hoje do Dia Mundial de Combate ao Bullying. Esta luta não é uma tarefa de um dia, nem de um grupo de pessoas, mas sim de todos os dias do ano e de todas as pessoas.

Hoje, dia 20 de outubro, celebra-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying, um alerta internacional para o problema do bullying, do qual um em cada três jovens do mundo, entre os 13 e os 15 anos, sofre regularmente. (Nota 1) Em 2016, criámos a Associação No Bully Portugal para responder à necessidade de ter respostas práticas e eficazes para o bullying, que tanto faltam nas nossas escolas. Sei isto por experiência própria, pois durante o meu percurso escolar assisti e estive envolvida em várias situações de bullying. Ao transitar entre escolas e turmas, fui tendo vários “papéis” diferentes: desde ser eu própria a fazer bullying a colegas, a estar no papel de vítima e ser excluída e gozada pelos outros, a querer parar o bullying sem conseguir. Não havia uma solução aparente nessa altura e hoje em dia também não existe em muitas escolas portuguesas.

“Bullying” é uma forma de violência repetida ao longo do tempo que acontece entre pares, entre os quais existe um desequilíbrio de poder. Quem agride é mais forte, em termos físicos ou sociais, ou está em maior número do que a vítima. Estas agressões têm o objetivo de assustar, magoar, humilhar e intimidar a vítima, mesmo que tenham pouca consciência do impacto que estão a causar. (Nota 2)

Os comportamentos de bullying podem ser divididos em 4 tipos: o bullying físico – usar a força física para magoar outro; o bullying verbal – usar palavras ou gestos para humilhar outro; o bullying relacional – isolar um colega do mesmo grupo ao deixá-lo de parte; e o cyberbullying – usar os meios eletrónicos para fazer bullying. Qualquer que seja o tipo de bullying, este pode ter um resultado destruidor na auto-estima e na saúde mental das vítimas. Mas também os agressores correm riscos graves de consumo de substâncias, comportamentos destrutivos e abusivos para com os outros. Desta forma, é importante estar atento a todos os jovens envolvidos em bullying, e garantir que não ficam presos no papel de vítima ou agressor para o resto da sua vida.

O título deste artigo é “A prevenção do bullying está nas mãos de todos”, e fiquei muito feliz quando o Papa Francisco, em 2019, tomou também essa causa como sua, ao dirigir-se aos jovens no Japão: “Não basta que instituições educacionais ou adultos usem todos os recursos de que dispõem para evitar essa tragédia, mas é necessário que entre vocês, amigos e companheiros, se reúnam para dizer: Não! Isso é mau! Não existe arma maior para defender-se dessas ações do que levantar-se entre companheiros e amigos e dizer: O que estás a fazer é uma coisa grave”.

Qualquer que seja o tipo de bullying, este pode ter um resultado destruidor na auto-estima e na saúde mental das vítimas. Mas também os agressores correm riscos graves de consumo de substâncias, comportamentos destrutivos e abusivos para com os outros.

Referiu também o efeito do bullying nas vítimas: “o ponto mais cruel do bullying é que fere o espírito e a autoestima”, e a fraqueza dos agressores: “Paradoxalmente, os molestadores é que são frágeis de verdade, pois pensam que podem afirmar a sua identidade fazendo mal aos outros”. Finalmente, deixou a sua mensagem final aos jovens: “Como precisa a nossa família humana de aprender a viver em harmonia e paz, sem necessidade de sermos todos iguais (…) Devemos unir-nos contra esta cultura do bullying e aprender a dizer: Basta!”(Nota 3)

A luta contra o bullying não é uma tarefa de um dia, nem de um grupo de pessoas, mas sim de todos os dias do ano e de todas as pessoas. Por isso, desafio o leitor a refletir como pode trazer mais harmonia e paz ao seu contexto, seja ele familiar, escolar ou profissional. Aos jovens que estão a ler o artigo, desafio-vos a pensar acerca das relações que têm com os vossos colegas e a garantir que todos se sentem respeitados e valorizados. Se estão a sofrer de bullying, procurem a ajuda de quem vos possa dar força para enfrentar os agressores e apoiar nesta fase difícil; denunciem as agressões à direção da escola ou às autoridades; e lembrem-se que merecem ser respeitados por quem são.

Aos pais e avós de crianças ou jovens, convido-vos a fazê-los questionar a forma como tratam os colegas, a preocupar-se com o colega que fica sempre de fora das brincadeiras e festas. Se os vossos filhos ou netos estiverem a passar por bullying, dêem-lhe todo o vosso apoio e mostrem-lhe que há formas de ultrapassar a situação, sem ser necessário recorrer à agressão. Colaborem com as escolas e professores para encontrar formas de parar o bullying. E aos restantes, desafio-os a repensar as atitudes que têm em relação a quem é diferente e que merece o mesmo respeito que qualquer pessoa.

Vamos unir-nos contra esta cultura do bullying e aprender a dizer: Basta!

 

Notas:

1.    https://www.unicef.org/press-releases/half-worlds-teens-experience-peer-violence-and-around-school-unicef

2.    https://www.apavparajovens.pt/pt/go/o-que-e2

3.    https://agencia.ecclesia.pt/portal/japao-papa-desafia-jovens-a-combater-bullying-c-fotos/

Para mais informações acerca das respostas contra o bullying, seja como jovem, encarregado de educação ou estabelecimento de ensino, visite o nosso site: www.nobully.pt ou contacte-me para ines@nobully.org.

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.