Ali Pompa Apa

“Ali Pompa Apa”. Em chichewa, uma língua local, fala sobre a busca de Deus: “Procurei, procurei… mas estava sempre aqui.”

Há quase 10 meses, chegou finalmente a altura de partir em missão para Moçambique, para Tete.

Entre os muitos comentários que ouvia sobre este lugar, havia dois que se repetiam: “Tete faz um calor horrível” e “Tete é um inferno na terra”. Confesso que partir para um lugar desconhecido, ouvindo comentários como estes, me assustava. Sentia algum medo e perguntava-me: “Será que vou aguentar isto?”

Hoje, quase 10 meses depois, sinto que Deus capacita os escolhidos.

É verdade que Tete é muito quente – exceto no inverno, quando até é possível dormir de manta, algo que, quando cheguei, me parecia impossível. Mas também é verdade que Tete se tornou muito mais do que o calor, as dificuldades ou aquilo que me tinham contado.

As pessoas e as vivências ao longo destes meses tornaram este lugar num sítio muito especial. Foram elas que fizeram com que um lugar que me era completamente desconhecido se tornasse casa.

Ao longo desta missão, houve um cântico que me acompanhou de uma forma muito especial: “Ali Pompa Apa”. Em chichewa, uma língua local, fala sobre a busca de Deus: “Procurei, procurei… mas estava sempre aqui.”

E sinto que esta frase resume muito daquilo que foram estes meses. Houve momentos em que O procurei e em que percebi que Ele esteve sempre aqui.

Esteve presente nas pessoas que colocou no meu caminho, nas amizades que nasceram, nos momentos de alegria, nas dificuldades, nas conversas e naqueles dias mais desafiantes. Deus esteve sempre aqui.

Por isso, hoje, a menos de duas semanas da minha partida para férias em casa, antes de abraçar a nova missão que Deus me entrega em Angola, sinto que é tempo de agradecer, de dar graças por tudo aquilo que foi vivido e de guardar tudo no coração.

Venho agradecer por fazer parte de uma Igreja cheia de vida e de força, onde a fé é vivida de corpo e alma, com tudo o que têm. Obrigada por todos os missionários, consagrados e leigos que colocaste no meu caminho, que são verdadeiros exemplos de serviço e de Jesus. Por todos aqueles que me acolheram de braços abertos e pelas vivências que me ajudaram a crescer e a aprender mais.

Queria também agradecer o trabalho dos voluntários que me antecederam, que foi essencial para o caminho percorrido durante este ano, especialmente pelas relações que foram criadas e que pude continuar a nutrir ao longo destes meses.

Agradeço à equipa de coordenação do grupo comunitário, que se tornou verdadeira amiga e que me fez sentir acolhida, cuidada e em casa desde que cheguei. A todos os membros do grupo comunitário, que acreditam no nosso trabalho e que investem no seu crescimento. E por todas as conquistas que fomos alcançando ao longo deste ano.

Agradeço todos os amigos que fizemos durante este ano de missão, que fizeram com que me sentisse cuidada, amada e acompanhada nas dificuldades, e que me mostraram uma enorme generosidade.

Agradeço à mamã, que está sempre disponível para ajudar e cuidar e que tem um sentido de humor muito especial.

E, finalmente, agradeço às minhas grandes manas, que foram sempre um testemunho de fé para mim e um exemplo de perdão. Fizeram com que me sentisse sempre cuidada e foram um grande apoio, com muita disponibilidade e entrega. Elas foram casa e consolo ao longo deste ano. Sem elas, a missão teria sido muito diferente.

Dou graças a Deus por Se revelar através de cada pessoa com quem me fui cruzando. Ele esteve realmente sempre aqui… “Ali Pompa Apa”.

Certamente terei muitas saudades, mas este ano ficará para sempre guardado no meu coração.

 

Joana D’Orey
Tete (Moçambique), 2025-2026