Missão Moçambique
A presença dos Leigos para o Desenvolvimento em Moçambique começou antes mesmo de chegar ao país. Entre 1991 e 1994, os voluntários estiveram no vizinho Malawi, colaborando com os Jesuítas no Campo de Refugiados de Mankhokwe, onde acompanhavam milhares de refugiados moçambicanos que tinham fugido da guerra civil.
Com o encerramento dos campos de refugiados e o início do processo de reconstrução nacional, os Jesuítas desafiaram os Leigos para o Desenvolvimento a continuar este caminho em território moçambicano. Assim começou uma longa presença no país, que passou por Lifidzi, Fonte Boa, Beira, Lichinga e Cuamba, acompanhando diferentes comunidades ao longo de mais de duas décadas.
Durante este percurso, a intervenção centrou-se sobretudo na educação, através do ensino em escolas, projetos de alfabetização e formação. Foram também criadas diversas infraestruturas comunitárias, como bibliotecas, centros de informática, clubes juvenis, campos de jogos e anfiteatros, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades locais. Paralelamente, foram desenvolvidos projetos na área da saúde, com destaque para iniciativas de prevenção do VIH/SIDA e apoio à rede de postos sanitários.
Um dos projetos mais marcantes desta missão foi a Rede de Escolinhas Comunitárias do Niassa. Entre 1996 e 2018, os Leigos acompanharam a gestão, coordenação, formação e desenvolvimento estratégico desta rede diocesana de jardins de infância comunitários em zonas rurais. Geridas pelas próprias comunidades, as Escolinhas Comunitárias constituíram uma resposta inovadora para a educação de infância em contextos de maior vulnerabilidade, tornando-se uma das iniciativas mais emblemáticas da história da organização em Moçambique.
Com o encerramento da missão em Cuamba, em 2019, iniciou-se um novo período de discernimento sobre a continuidade da presença dos Leigos no país. A pandemia de COVID-19 e o falecimento inesperado do Bispo do Gurué, onde estava prevista a abertura de uma nova missão, obrigaram a adiar esse processo. Durante este período foram realizados novos contactos institucionais e ações de diagnóstico em diferentes dioceses, procurando identificar o território mais adequado para uma nova intervenção.
Foi assim que, em outubro de 2024, os Leigos para o Desenvolvimento regressaram a Moçambique, iniciando uma nova missão na cidade de Tete, na sequência do convite de D. Diamantino Antunes, Bispo de Tete, que durante vários anos manifestou o desejo de voltar a acolher a organização na diocese.
Hoje, a comunidade missionária vive e trabalha no Bairro de Samora Machel, acompanhando de perto a população e dando os primeiros passos na construção de um novo Programa de Desenvolvimento Comunitário.
O Bairro de Samora Machel é um bairro periférico da cidade de Tete que reúne mais de 50 mil habitantes. Apesar da proximidade ao centro urbano, persistem desafios relacionados com o acesso a oportunidades, ao emprego, ao saneamento básico e à participação comunitária.
A missão dos Leigos para o Desenvolvimento encontra-se ainda numa fase inicial de implementação, privilegiando a escuta da comunidade, o fortalecimento das lideranças locais e a construção participada dos projetos que irão responder às necessidades identificadas pelos próprios moradores.
Atualmente, a intervenção organiza-se em quatro áreas principais.
Grupo Comunitário do Bairro de Samora Machel

O Grupo Comunitário reúne líderes comunitários, representantes de diferentes entidades e moradores do bairro para identificar os principais desafios da comunidade e procurar soluções em conjunto.
O papel dos voluntários passa por mobilizar os diferentes atores locais, facilitar o diálogo e acompanhar o desenvolvimento das iniciativas que nascem deste trabalho conjunto, promovendo uma comunidade mais participativa e corresponsável.
Mulheres

A promoção da participação das mulheres constitui outro dos eixos da missão.
Através de encontros, formações e momentos de partilha, pretende-se criar espaços onde as mulheres possam refletir sobre os desafios que enfrentam, fortalecer a sua autoestima e desenvolver iniciativas que contribuam para melhorar a sua qualidade de vida e a da comunidade.
Os voluntários apoiam a organização destes grupos e acompanham o desenvolvimento das diferentes iniciativas que vão surgindo a partir das próprias mulheres.
Jovens

Os jovens são uma das prioridades da missão em Tete.
Este projeto procura criar espaços seguros de encontro, onde os jovens possam partilhar as suas preocupações, ideias e sonhos, desenvolver novas competências e participar ativamente na construção da comunidade.
Os voluntários acompanham a dinamização de formações, encontros e outras iniciativas que promovem o desenvolvimento pessoal, a cidadania e a participação juvenil.
Diagnóstico Comunitário

Sendo uma missão recentemente iniciada, o diagnóstico da realidade local assume um papel fundamental.
Através de questionários, entrevistas, visitas domiciliárias e conversas com a população, os Leigos procuram conhecer melhor o Bairro de Samora Machel, compreender as suas necessidades, recursos e potencialidades e construir, em conjunto com a comunidade, respostas adequadas aos desafios identificados.
Este trabalho permitirá acompanhar a evolução da missão ao longo do tempo e avaliar o impacto das ações desenvolvidas.
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