Missão Angola

 

A missão dos Leigos para o Desenvolvimento em Angola começou em 1992, na província do Uíge, em resposta ao convite de D. Francisco da Mata Mourisca, então Bispo da Diocese do Uíge. No entanto, devido ao conflito armado que se vivia no país, a equipa foi obrigada a abandonar o território no ano seguinte.

Em 1996, os Leigos regressaram a Angola, desta vez à província de Benguela, onde iniciaram um percurso de mais de duas décadas de trabalho ao serviço das comunidades locais. Ao longo dos anos, a missão desenvolveu-se tanto na cidade de Benguela como em zonas do interior da província e bairros periféricos, promovendo projetos nas áreas da educação, alfabetização, saúde, formação, empreendedorismo e promoção da mulher.

Entre 2003 e 2014, os Leigos voltaram também ao Uíge, onde continuaram a investir na educação, na formação profissional e no desenvolvimento económico das comunidades.

Um dos marcos desta presença foi o trabalho realizado no Bairro Nossa Senhora da Graça, entre 2005 e 2019. Neste período nasceram projetos como o Programa de Alfabetização de Adultos, o Centro Juvenil da Graça, o Espaço Criança, o GAIVA – Gabinete de Apoio à Inserção na Vida Ativa, o Projeto Epongoloko Lyukay (“Mudança da Mulher”) e o Grupo Comunitário do Bairro da Graça. Todos estes projetos foram, progressivamente, autonomizados e entregues aos parceiros locais, reforçando a sustentabilidade do trabalho desenvolvido.

Em 2019, teve início uma nova etapa da missão, agora no Alto Catumbela, na província de Benguela. Atualmente, os voluntários vivem na Ganda e desenvolvem a sua ação no Alto Catumbela, situada a cerca de 20 minutos da Ganda.

A pandemia de COVID-19 obrigou à interrupção temporária da missão em março de 2020, tendo os voluntários regressado ao terreno apenas em dezembro de 2021.

O Programa de Desenvolvimento Comunitário do Alto Catumbela procura promover um desenvolvimento participado e sustentável, colocando a comunidade no centro das decisões e fortalecendo a sua capacidade de responder aos desafios locais.

Este trabalho é desenvolvido em parceria com a ATES – Área Transversal da Economia Social da Universidade Católica Portuguesa, o Mosaiko – Instituto para a Cidadania e a Diocese da Ganda, atualmente financiado pela União Europia e até maio de 2026 pelo Camões – Instituto de Língua, I.P. 

A intervenção organiza-se atualmente em quatro grandes projetos.

Grupo Comunitário do Alto Catumbela

O Grupo Comunitário do Alto Catumbela reúne representantes das autoridades tradicionais e oficiais, associações, igrejas, grupos locais e moradores, criando um espaço de diálogo e participação comunitária. 
Em conjunto, identificam os principais desafios da comunidade e mobilizam-se para encontrar soluções. Entre os temas já trabalhados destacam-se o saneamento básico, o desemprego, a delinquência juvenil, a gravidez precoce e a degradação das estradas. 

Desenvolvimento Cultural

A cultura assume um papel central na transformação social da comunidade. 
Foi neste contexto que nasceu, em 2022, o grupo de teatro Ombembwa — palavra em Umbundu que significa “Paz”. Ao longo dos últimos anos, o grupo apresentou diversas peças em escolas, igrejas, eventos juvenis e iniciativas culturais, abordando temas relevantes para a comunidade e promovendo a reflexão sobre questões como a delinquência juvenil, a participação cívica ou a igualdade. 
Em 2025, o projeto deu origem ao Coletivo de Artes Ombembwa, integrando também grupos de rap e de escultura, reforçando a aposta na cultura como espaço de expressão, educação e desenvolvimento comunitário. 

Espaço Jovem

O Espaço Jovem nasceu da vontade de criar mais oportunidades para os jovens do Alto Catumbela, contribuindo para reduzir o êxodo rural. 
Através de formações técnicas, desenvolvimento de competências pessoais e ações de empreendedorismo, este projeto procura capacitar os jovens para construírem o seu futuro na própria comunidade, valorizando o seu talento e promovendo uma participação ativa na vida local. 

Ukãy Opopia

Ukãy Opopia, expressão em Umbundu que significa “Mulher Fala”, é o projeto mais recente da missão, iniciado em 2024. 
O seu principal objetivo é promover uma maior participação das mulheres na vida comunitária e nos espaços de decisão. Através de formações, encontros e momentos de partilha, pretende-se reforçar a sua autoestima, desenvolver competências pessoais e sociais e criar condições para que possam defender os seus direitos, participar ativamente na comunidade e assumir um papel cada vez mais relevante no Grupo Comunitário do Alto Catumbela e na sociedade. 

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