1ª Reunião do Grupo das Mulheres do Bairro Samora Machel

Em Samora Machel, a 5 de Julho de 2025, debaixo da árvore Nchechere, por volta das 8h30 da manhã, começaram a chegar as primeiras mulheres. Algumas traziam bebés às costas, outras vinham sozinhas, todas com as suas capulanas coloridas. Às 9h, hora marcada para o início da reunião, já se encontravam presentes 32 mulheres. Ao … Saber mais

Em Samora Machel, a 5 de Julho de 2025, debaixo da árvore Nchechere, por volta das 8h30 da manhã, começaram a chegar as primeiras mulheres. Algumas traziam bebés às costas, outras vinham sozinhas, todas com as suas capulanas coloridas. Às 9h, hora marcada para o início da reunião, já se encontravam presentes 32 mulheres. Ao longo da manhã, esse número foi aumentando, chegando às cerca de 180 participantes.

A reunião foi dinamizada pela Marta, membro dos Leigos para o Desenvolvimento, que deu início ao encontro pedindo a uma mãe que fizesse a tradução simultânea para Nhungué, a língua local. Muitas das mulheres compreendem pouco português (“cizungu”), e essa preocupação com a inclusão foi, desde logo, sinal de que se tratava de um espaço verdadeiramente participativo.

A Marta apresentou o trabalho dos Leigos para o Desenvolvimento, explicando os diferentes grupos já existentes no bairro, isto é, o Grupo Comunitário, o Grupo de Jovens e o Grupo de Mulheres, e introduziu os objetivos deste novo espaço: criar um grupo onde as mulheres possam partilhar problemas, interesses e experiências, e fortalecer-se mutuamente. “Este grupo vai ser aquilo que vocês quiserem que ele seja”, afirmou.

Seguiu-se uma atividade de reflexão com fotografias, em que cada grupo de mães recebeu seis imagens representando mulheres em diversos contextos: desde cenas do quotidiano local (como lavar roupa no rio ou vender no mercado) até representações menos comuns, como mulheres em cargos tradicionalmente masculinos ou em momentos de lazer em família.

As mulheres discutiram as imagens e, em grupo, escolheram uma para apresentar. Falaram sobre dificuldades financeiras, a necessidade de uma bomba de água para as machambas, de uma máquina de lavar roupa e de fardas para as crianças. À medida que a confiança aumentava, também as vozes se tornavam mais firmes, revelando histórias sobre o trabalho no mercado, da vida nas machambas e as dificuldades das crianças.

No encerramento, a Marta agradeceu a presença e entrega de todas, destacando os pontos em comum entre as participantes e reforçando o espírito de união. Ficou decidido que os encontros passarão a realizar-se mensalmente, com a próxima reunião marcada para o dia 2 de Agosto, no mesmo local.

Este foi apenas o primeiro passo, mas já se sente o desejo profundo de construir um espaço seguro, inclusivo e com potencial transformador, onde, juntas, as mulheres do Bairro Samora Machel possam encontrar força, escuta e novas possibilidades.