Ao 11º dia da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30, a decorrer no Brasil), o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o P. Anderson Pedroso, sj, entregou ao presidente da COP, André Aranha Corrêa do Lago, uma carta oficial com os principais apelos da Companhia de Jesus para esta edição, prestes a terminar. O gesto integrou a campanha internacional “Jesuítas pela Justiça Climática: Fé em Ação na COP30”, a primeira a nível internacional, e que mobilizou jesuítas e colaboradores em todo o mundo, levando até uma delegação ao Brasil para acompanhar os trabalhos.
O documento resulta de um processo coletivo da delegação jesuíta presente em Belém – 29 participantes de 14 países, entre eles o jesuíta português, P. Filipe Martins, sj – que, ao longo das duas semanas da Conferência, acompanhou de perto os trabalhos na Zona Azul, participou em eventos paralelos e esteve representada na Cúpula dos Povos. A diversidade geográfica e pastoral desta delegação da Companhia reforça o peso institucional deste posicionamento que foi entregue ao responsável do encontro.
Na carta, a Companhia de Jesus manifesta profunda preocupação com a insuficiência da resposta global à emergência climática. Recorda que a ciência é clara: para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C, são necessárias medidas mais ambiciosas, devidamente implementadas. A delegação acolheu com esperança o discurso inaugural do presidente da COP30 – que definiu esta como a “COP da implementação, da adaptação e da verdade” – e apresentou as suas recomendações nesse mesmo espírito.
O texto destaca três exigências essenciais:
1. Criar um mecanismo robusto para o Programa de Trabalho da Transição Justa, com financiamento baseado em subsídios, evitando o aumento da dívida dos países em desenvolvimento.
2. Definir um processo claro e transparente para a implementação e operação do Fundo de Perdas e Danos, garantindo que os recursos cheguem efetivamente às nações mais vulneráveis.
3. Promover uma reforma profunda da Arquitetura Financeira Global, incluindo o cancelamento de dívidas relacionadas com o clima.
A Companhia de Jesus conclui o documento apelando à coragem política necessária para tomar decisões que respondam às populações mais afetadas pelas mudanças do clima. Citando o Papa Leão XIV, a carta sublinha a necessidade de “assumir as lutas e conquistas das gerações passadas, mirando ainda mais alto”, com bondade, justiça e solidariedade. O documento, assinado pelo P. Roberto Jaramillo, sj, reflete o compromisso dos jesuítas com a justiça climática e o cuidado da Casa Comum.
Com a entrega desta carta, os jesuítas reforçam o seu apelo por ações concretas, coordenadas e sustentáveis – lembrando que as decisões tomadas em Belém terão impacto direto sobre milhões de vidas em todo o mundo.
O P. Filipe Martins, sj, que integra a Comissão dos Jesuítas pela Justiça Climática, participou também na conferência de imprensa que teve lugar hoje e partilha que o sentimento geral, no final desta COP, é de esperança e “consciência grande que estamos na direção certa”. Porém, refere num vídeo publicado pelo Ponto SJ, “não com a velocidade necessária”. E remata: “é preciso acelerar e muito”. O jesuíta permanece animado com o caminho das negociações – que podem estender-se por mais um dia, devido ao incêndio que deflagrou ontem nas instalações da COP. Espera que as “decisões sejam claras” e que se continue o caminho já iniciado “de sustentabilidade e transição justa”.
