Entre os dias 6 e 14 de junho, a Paróquia de São Francisco Xavier de Caparica, confiada à Companhia de Jesus, acolheu a visita pastoral do cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, num programa que permitiu dar visibilidade ao trabalho apostólico, social, educativo e comunitário que os jesuítas e as várias Obras Apostólicas ligadas à paróquia desenvolvem há décadas junto da população do Pragal e do Monte da Caparica. Esta foi já a 11.ª visita pastoral de D. Américo na diocese e incluiu a visita a mais de 30 instituições, empresas, movimentos e obras presentes no território paroquial.
Estes dias permitiram tornar visível uma realidade concreta: a de uma presença eclesial fortemente enraizada em bairros marcados pela diversidade, a imigração, por situações de vulnerabilidade, mas também por uma grande capacidade de resistência, esperança e organização comunitária. Na mensagem de encerramento que deixou à comunidade, D. Américo Aguiar sublinhou precisamente a riqueza humana, social, educativa, empresarial e solidária encontrada ao longo da visita, bem como a atenção aos mais frágeis e às preocupações concretas das famílias, entre as quais sobressaiu a dificuldade no acesso a habitação digna.
“Venho como pastor e irmão, desejoso de vos encontrar, escutar, conhecer e caminhar convosco.”
– D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
Logo nas palavras iniciais da visita pastoral, D. Américo destacou a espiritualidade inaciana como traço essencial da identidade local: “Tão presente na vida desta comunidade, nos convida a procurar e encontrar Deus em todas as coisas, a discernir os caminhos do Espírito e a viver uma fé comprometida com a transformação do mundo segundo o Evangelho.”
Essa marca inaciana ajudou a enquadrar o sentido mais profundo da visita: reconhecer, confirmar e encorajar uma missão que não se limita à vida litúrgica da paróquia, mas que se prolonga em respostas sociais, educativas, juvenis e comunitárias, construídas em estreita relação com a população.
No terceiro dia da visita, D. Américo encontrou-se com a comunidade jesuíta da Caparica composta pelos jesuítas Diogo Gaspar, P. Lourenço Eiró, P. Luís Ferreira do Amaral, P. José Pires, e P. Fernando Ribeiro, que em diferentes frentes, sustentam a presença apostólica da Companhia de Jesus nesta zona. Nas mensagens de início e de encerramento da visita, D. Américo agradeceu explicitamente ao pároco, P. Luís Ferreira do Amaral, sj, e aos companheiros jesuítas, valorizando o testemunho de serviço generoso, a hospitalidade fraterna e o trabalho pastoral desenvolvido ao serviço desta comunidade.
Entre os vários momentos da visita, a visita à Associação Padre Amadeu Pinto, SJ – uma obra da Companhia de Jesus orientada para o apoio escolar, formativo e comunitário de crianças e jovens dos bairros sociais do Pragal e do Monte da Caparica – foi um dos pontos altos. O centro nasceu da perceção, por parte dos jesuítas, de que muitas crianças ficavam especialmente expostas à vulnerabilidade e criminalidade após o período escolar, e foi crescendo como um espaço de apoio ao estudo, desenvolvimento integral e promoção dos direitos humanos e sociais.
Hoje, esta obra continua a exprimir de forma muito concreta a opção por acompanhar quem mais precisa, em estreita articulação com as famílias, voluntários, benfeitores e equipas técnicas. O seu lema —“Fazer o bem, bem feito” — resume bem uma forma de servir que é simultaneamente exigente, próxima e comprometida com a dignidade de cada pessoa.
Outra realidade visitada foi o Centro Social Paroquial de Cristo Rei, instituição nascida por iniciativa paroquial e marcada, desde a origem, pela inspiração cristã e pela preocupação com a população mais carenciada. Criado em 1985 e com atividade iniciada em 1987, o Centro tem procurado responder ao crescimento populacional e à escassez de equipamentos de apoio social numa zona profundamente marcada por processos de realojamento e por novas urbanizações de habitação social.
Ao percorrer estas obras, bem como a comunidade de São Pedro Claver, a própria paróquia, o jardim de infância e outras valências sociais e pastorais, a visita pastoral permitiu reconhecer não apenas estruturas, mas sobretudo pessoas: as equipas técnicas, os educadores, os trabalhadores, os voluntários, os animadores, os agentes pastorais e todos os que diariamente fazem destas instituições lugares de acolhimento, crescimento e cuidado. Na mensagem de encerramento, D. Américo agradeceu precisamente aos catequistas, animadores de grupos e movimentos, escuteiros, jovens, coros, ministros, leitores, voluntários e a todos os que ajudam a construir esta família paroquial.
Na mensagem de encerramento e na semana em que celebrámos o Dia de Portugal e das Comunidades, o bispo de Setúbal evocou a beleza de uma comunidade que reúne irmãos e irmãs oriundos de diferentes países de língua portuguesa, sublinhando que esta diversidade é uma riqueza e um dom de Deus. Já na homilia de abertura, tinha recordado que, quando Cristo ocupa o centro da vida, “os outros não são estrangeiros, são irmãos”, apontando para uma experiência cristã onde a fé se faz ponte entre povos e culturas.
D. Américo afirmou que “a visita termina, mas a missão continua”, convidando os cristãos a reconhecerem que o anúncio do Evangelho começa nos lugares mais próximos da vida. Nesse contexto, deixou uma formulação particularmente expressiva, que também ajuda a ler o que estas obras realizam todos os dias: “A Missão é em nossa casa, é à nossa porta, é no nosso bairro, é na nossa rua, e é na nossa paróquia, e é na nossa diocese.”
É precisamente nessa escala de proximidade – bairro a bairro, família a família, criança a criança, instituição a instituição – que a presença dos jesuítas na Caparica e no Pragal continua a ganhar corpo. Esta visita veio, assim, pôr em evidência uma missão enraizada no território e sustentada por uma comunidade cristã diversa, por obras apostólicas consistentes e por muitas mãos que, com discrição e perseverança, continuam a cuidar da vida concreta das pessoas.
A próxima etapa deste caminho pastoral na Diocese de Setúbal será a Paróquia do Monte da Caparica, com início marcado para 20 de junho.
Veja a reportagem do Ponto SJ sobre a presença dos jesuítas no Pragal.
Fotografias: Ricardo Perna
