O Colégio São João de Brito, em Lisboa, recebeu nos dias 2 e 3 de julho, as Jornadas Pedagógicas SJ 2026, subordinadas ao tema “Educação em Perspetiva: Propostas e Desafios”. Durante dois dias, educadores e professores refletiram sobre alguns dos grandes desafios da escola de hoje: evangelização em contexto plural, aprendizagem, inteligência artificial e educação para a afetividade e sexualidade.
A manhã de abertura foi conduzida por Daniel Patrick Huang, sj, padre jesuítas e professor na Universidade Gregoriana, em Roma, com o tema “Sharing the Gift – Evangelization in a Pluralistic Context”. Num tempo marcado pela polarização, o jesuíta convidou os educadores a pensar a evangelização não como imposição, mas como partilha de um dom.
“Evangelizamos porque amamos os nossos alunos”, afirmou, sublinhando que a fé cristã se comunica a partir do desejo de oferecer aos jovens “a plenitude de humanidade e de alegria que nasce de estar com Jesus e de ser amigo de Jesus”. Daniel Huang, sj partiu do contexto atual, onde o cristianismo deixou de ser a voz cultural dominante e onde muitos jovens procuram sentido, pertença e identidade. Perante essa realidade, defendeu que a escola católica é chamada a acompanhar, antes de responder; a escutar, antes de propor; a caminhar com os alunos, mesmo quando estes parecem caminhar noutra direção.
A escola católica é chamada a acompanhar, antes de responder; a escutar, antes de propor; a caminhar com os alunos, mesmo quando estes parecem caminhar noutra direção.
“Acompanhamos as pessoas estando presentes, caminhando com elas. Mesmo quando caminham na direção errada, caminhamos com elas, como Jesus caminhou com os seus discípulos”, disse o jesuíta convidado. Para o conferencista, evangelizar hoje implica reconhecer a procura espiritual que atravessa a vida de muitos jovens e ajudá-los a descobrir que a fé pode abrir novas possibilidades de vida. Não se trata, explicou, de apresentar o Evangelho como “um conjunto de regras opressivas ou doutrinas para memorizar”, mas como uma forma nova de ser humano. “Acreditar em Jesus abre uma nova maneira de viver: torna-nos mais compassivos, mais alegres, mais fortes diante do sofrimento e mais disponíveis para viver como irmãos e irmãs”, afirmou.
As jornadas prosseguiram com a intervenção de Célia Oliveira, que abordou as ilusões de aprendizagem e as estratégias eficazes para aprender melhor, numa conferência dedicada ao modo como os alunos aprendem e ao papel dos educadores nesse processo.
No segundo dia, Albert Florensa trouxe para o centro da reflexão os desafios da inteligência artificial, interrogando o lugar do ser humano num tempo profundamente marcado pela técnica.
A tarde final foi dedicada à educação para a afetividade e sexualidade, com a intervenção de Ana Berástegui Pedro-Viejo e a apresentação do novo projeto do Colégio São João de Brito sobre afetividade. Seguiu-se uma mesa-redonda moderada por Ana Naves, com a participação de Ana Berástegui Pedro-Viejo, Mafalda Caldas, P. Nelson Faria, sj, Sofia Goes e Vasco Cardoso, procurando uma visão mais integrada da formação dos alunos.
Mais do que uma sucessão de conferências, as Jornadas Pedagógicas foram um tempo de paragem e reflexão comum sobre a missão educativa. Num mundo complexo, plural e tecnologicamente acelerado, o Colégio de São João de Brito quis olhar para a educação como lugar de discernimento, encontro e esperança.
A encerrar os trabalhos, o P. Pedro Rocha Mendes, sj, diretor-geral do Colégio de São João de Brito, concluiu dois dias marcados pela vontade de pensar a escola para lá da transmissão de conteúdos: como espaço onde se aprende a ser, a escolher, a acompanhar e a viver com sentido.
