O ano de 2015 ficou marcado por dois acontecimentos transformadores na forma como a humanidade é chamada a responder à crise ecológica: o lançamento da encíclica Laudato Si’ e o Acordo Climático de Paris. A carta encíclica “Laudato Si’: Sobre o Cuidado da Casa Comum” é a primeira na história centrada no conceito de ecologia integral e na urgência de responder à crise social e ambiental do nosso tempo. Com ela, o Papa Francisco lançou um apelo forte e urgente não só a pessoas de fé, mas a todas as pessoas de boa vontade – para escutarmos “o grito da Terra e o grito dos pobres” e nos comprometermos com uma verdadeira conversão ecológica.
Meses depois, na COP21, e após anos marcados por negociações sem sucesso, os líderes mundiais alcançaram um acordo histórico em Paris, comprometendo os países a limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2 °C, com esforços para não ultrapassar os 1,5 °C. Foi um tempo de esperança e compromisso.
Dez anos passaram. Hoje, o grito da Terra e dos pobres é, ao mesmo tempo, ensurdecedor e ignorado. Que esperança ainda nos move? A que somos chamadas e chamados hoje? Como pode a fé ser fonte e motor de uma cultura de cuidado?
Vivemos tempos de guerra, violência quotidiana, crises ecológicas e sociais, polarização, indiferença e uma economia que não cuida verdadeiramente de tudo e de todos. As feridas da Criação são visíveis — e profundas. E afetam as nossas relações uns com os outros e com Deus.
Neste cenário, que esperança ainda nos move? A que somos chamadas e chamados hoje? Como pode a fé ser fonte e motor de uma cultura de cuidado?
Apesar dos sinais de “deserto” e de tantas realidades feridas, os frutos destes 10 anos de caminho com a Laudato Si’ são muitos e são motivo de esperança. Em comunidades, organizações e movimentos pelo mundo, cresce o compromisso com a justiça climática, a reconciliação com a criação e a espiritualidade ecológica. Há sementes de futuro a florescer — e há alegria em cuidar juntos da Casa Comum.
No 10º aniversário deste documento vivo que a Laudato Si’ continua a ser queremos marcar a história! Em ano de Jubileu da Esperança para a Igreja Católica e no ano em que na COP30 (que se realiza em novembro no Brasil) serão atualizadas as metas relativas aos compromissos climáticos de cada país, como podemos continuar a abrir caminhos?
Para respondermos juntos, no dia 25 de outubro, na Casa Velha – Ecologia e Espiritualidade, em Ourém, propomos um dia de celebração, encontro, diálogo e partilha.
Com oradores convidados como Elena Lasida – economista e professora universitária – e Austen Ivereigh – escritor, jornalista e biógrafo do Papa Francisco –, e com testemunhos de organizações que estão a viver este caminho, queremos celebrar o que foi feito, escutar os desafios do presente e sonhar em conjunto os próximos 10 anos da Laudato Si’.
Este encontro nasce de uma parceria entre a Casa Velha, a Universidade Católica Portuguesa, a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Rede Cuidar da Casa Comum, o Movimento Laudato Si, a Companhia de Jesus e as Escravas do Sagrado Coração de Jesus, contando com o apoio do Ponto SJ e a Agência Ecclesia.
Programa
10h/10h30 – Chegada e Acolhimento
11h – Boas Vindas
11h15 – Oradores convidados – Elena Lasida e Austen Ivereigh
12h15 – Rodas de escuta: partilha de ecos
13h – Almoço convívio
15h – Laudato Si’ em ação
17h – Lanche
18h30 – Oração com a Criação
19h15 – Encerramento
Valor da inscrição: 30 € (20 € para estudantes e pessoas desempregadas).
