Ciclo de palestras sobre os 400 anos do martírio do beato Francisco Pacheco - Ponto SJ

Ciclo de palestras sobre os 400 anos do martírio do beato Francisco Pacheco

Um dos oradores desta conferência que se realiza amanhã, dia 28, no auditório municipal de Ponte de Lima, será o P. António Júlio Trigueiros, jesuíta e historiador.

Os 400 anos do martírio do beato Francisco Pacheco, jesuíta português que morreu em 1626 no Japão, são evocados este sábado, dia 28 de fevereiro, no ciclo de palestras que o município de Ponte de Lima, sua terra natal, está a organizar no auditório municipal. Um dos oradores desta conferência será o P. António Júlio Trigueiros, jesuíta e historiador, cuja apresentação tem o título “O jesuíta Francisco Pacheco – para uma prosopografia dos mártires jesuítas no Japão”.

O encontro inclui ainda mais quatro palestras de João Gomes Abreu Lima, João Paulo Oliveira e Costa, Ana Fernandes Pinto e o P. Adelino Ascenso. As conferências são da parte da tarde, às 14h30, e ainda no âmbito destas comemorações, realizar-se-á um concerto de música do séc. XVII na igreja matriz, ás 21h30, pelo grupo Antiquorum (emsemble de música antiga).

 

Nota biográfica do Dicionário Histórico da Companhia do P. Ruiz de Medina.

PACHECO, Francisco. Beato. Missionário, superior provincial do Japão, mártir, nasceu em 1566, em Ponte de Lima, Portugal; morreu a 20 de junho de 1626, Nagasaki, Japão. Entrou na Companhia de Jesus em janeiro de 1586, em Lisboa, Portugal; o. c. 1596, Goa, Índia; últimos votos – 7 de julho de 1603, Macau, China. Sobrinho do futuro mártir Diogo de Mesquita, ingressou na Companhia de Jesus em Lisboa e completou o noviciado e quatro anos de filosofia em Coimbra. Partiu para a Índia no navio do capitão Francisco de Melo em 7 de abril de 1592. Em Goa, lecionou latim por pouco mais de um ano antes de iniciar os seus estudos de teologia, que concluiu no Colégio de São Paulo em Macau. Lá, lecionou teologia enquanto estudava japonês (1600-1604). Foi para o Japão em 1604 e dirigiu-se à região de Miyako (atual Kyoto) em agosto de 1605 com Giovanni M. Adami e Guglielmo Portico. Portico morreu quando o seu navio foi esmagado por um mastro enquanto navegava pela costa norte de Kyushu durante uma forte tempestade. Pacheco e Adami nadaram até a costa. Após três anos em Osaka e Sakai (1605–1608), Pacheco regressou a Macau como reitor do colégio (30 de novembro de 1608 a 1 de dezembro de 1611). Regressou ao Japão em julho de 1612 e serviu como secretário do Bispo Luís Cerqueira até a morte deste, em fevereiro de 1614. A expulsão decretada por Tokugawa Hidetada em 1614 foi enviado para Macau em novembro, mas logo (junho de 1615) regressou ao Japão disfarçado, para superior do distrito de Arima e, posteriormente, também das ilhas Amakusa, até maio de 1619. Era Superior de Osaka quando o então provincial Mateus de Couros o informou (2 de outubro de 1621) de sua nomeação para provincial do Japão. Quatro anos depois, foi capturado em Kuchinotsu (Nagasaki) em 18 de dezembro de 1625 e aprisionado na Prisão de Shimabara juntamente com o Irmão Sadamatsu Gaspar e três colaboradores Rinsei Pedro, Kisaku Juan e Shinsuke Paulo. No dia 22, juntaram-se a eles o Padre Juan Bautista Zola e o dojuku coreano Kaun Vicente, também presos em Shimabara. Os quatro leigos foram admitidos na Companhia de Jesus e, sob a orientação dos dois sacerdotes, prepararam-se para fazer os seus votos religiosos antes do martírio. O Padre Baltasar de Torres e o Irmão Tozo Miguel, que aguardavam sentença na prisão de Omura desde 15 de março, morreram com eles na fogueira em Nagasaki (20 de junho de 1626). Pio IX beatificou os nove jesuítas em 7 de julho de 1867. O P. Francisco Pacheco foi descrito em vida como um superior prudente e bom, como comprovam as suas numerosas cartas, felizmente preservadas. A sua observância das leis e ordens escritas não o impediu de, por vezes, interpretá-las com moderada flexibilidade e bom senso, fundamentados nas circunstâncias incomuns da perseguição. Alguns de seus companheiros heroicos expressaram reservas, mas seus superiores justificaram a sua conduta. Antes de seu martírio, Pacheco nomeou Mateus de Couros, seu antecessor, como seu sucessor.