A igreja do Colégio S. João de Brito, em Lisboa, encheu-se cedo no domingo para dar as boas vindas ao novo provincial da Companhia de Jesus em Portugal. O curto trajeto das portas da igreja até à sacristia demorou quase meia hora com tantos abraços, encontros e fotografias. Chegaram do norte e centro do país, famílias inteiras, amigos, companheiros jesuítas e colaboradores das obras da Companhia. Muitos vieram de Braga e do Porto, cidades onde o P. António Valério, sj foi deixando caminho feito e muitas relações de amizade nas últimas duas décadas.
Foi neste ambiente que o P. António Valério tomou oficialmente posse como novo Provincial da Companhia de Jesus em Portugal, sucedendo ao P. Miguel Almeida, que terminou seis anos de provincialato. A música ajudou a dar corpo a esta cerimónia. Um coro a muitas vozes, com elementos do MAGIS, do Colégio das Caldinhas e do CUPAV, juntamente com um quarteto de cordas da ARTAVE, escola profissional de música no Colégio das Caldinhas. O repertório ajudou a criar um ambiente de oração viva e de alegria. Mas o gesto que melhor resumiu o dia foi o abraço fraterno entre os dois provinciais: um abraço de passagem, de confiança e de gratidão.
O discurso do P. Miguel Almeida, sj foi atravessada pelo sentimento de imensa gratidão. “A palavra a que mais tenho voltado nestes dias é gratidão”, afirmou. Após seis anos, disse sair com “um grande amor à Companhia, à Igreja, ao mundo” e com uma gratidão “mais madura”. Reconheceu também que a alegria verdadeira não é ingénua: “A verdadeira alegria é uma alegria dorida. De facto, a alegria da ressurreição é profunda, permanente, estável, porque atravessou a morte.” Elogiou a “vida espiritual profunda” do seu sucessor e expressou a confiança na sua liderança, antes de ler o decreto da nomeação do P. António Valério, que confere “a autoridade, as graças e as faculdades que correspondem a este cargo”.
Na homilia, o P. António Valério, sj partiu do Evangelho de S. Mateus e da exigência do envio dos discípulos mas o centro da sua mensagem foi o amor de Deus que precede tudo, sustenta tudo e não desiste de ninguém. “Cada um de nós é amado profundamente e infinitamente por Deus. Por mais que nos custe entender isso. E Deus, na sua ternura, não desiste de nós”, disse, recordando que esta é a experiência de fundo da fé e da espiritualidade inaciana.
A partir daí, apontou o horizonte do novo provincialato: sair ao encontro, servir, criar lugares de acolhimento. Pediu para si, para os jesuítas e para toda a comunidade inaciana a graça de serem “os primeiros a sair dos lugares afetivos, existenciais e geográficos em que estamos” para realizar a missão inspirada por Santo Inácio: uma missão que hoje se traduz em “encontro, diálogo, serviço” e em tudo o que ajude cada pessoa a encontrar “a casa onde todos, sem exceção, temos lugar, que é o coração de Deus”.
“Não é preciso fazer coisas extraordinárias para sermos boas pessoas e caminharmos na santidade”, lembrou. “Basta um coração com um lugar bonito e preparado para quem chegar e bater à nossa porta.”
Entre muitos abraços, música, oração e gratidão, a Companhia de Jesus em Portugal viveu este domingo um dia importante e simbólico. À eucaristia seguiu-se um almoço e convívio no Colégio S. João de Brito, com a família, jesuítas e alguns membros da comunidade inaciana.
Veja a fotogaleria deste dia tão especial.
