Viver em festa!

Como responderíamos nós à proposta de viver um Natal mensal?

Finalizadas todas as celebrações de Natal e fim de ano, e conversando com amigos e família, recordo aquele sentimento generalizado de já não existir apetite para mais comida e energia para mais pessoas.

Acontece que, nesta realidade de São Tomé, a época festiva é todo o ano! É verdade que dezembro é ligeiramente mais intenso, e carregado de maior significado litúrgico para os cristãos. Mas, aqui, vive-se sempre em festa! Literalmente!

Apesar de ser um país pequeno, são muitas as pequenas comunidades que vão realizando as suas festas ao longo do ano (como as típicas “festas da aldeia” portuguesas, mas ao estilo santomense). A isso, acrescem as festas mais familiares e os “ambientes” entre amigos. E, como a proximidade o permite e convida, todos estão chamados para todas as celebrações. Assim, há sempre motivo de encontro! Por isso, não me parece exagerado dizer que, em São Tomé, todos os meses há (pelo menos um) Natal!

Ora, ao pensar nisto, questionei-me: Como responderíamos nós à proposta de viver um Natal todos os meses?

Por um lado, a aliciante ideia de mais momentos de convívio e de encontro com a família e amigos. Poder reviver a cada mês a alegria e união natalícia. Por outro lado, a intensidade e o cansaço, das preparações e das interações humanas. Além disso, será que tantos “Natais” não iam perder o seu encanto?

No final de contas, penso que muitos de nós acabaríamos por aceitar esta proposta de um Natal mensal!

E tenho a partilhar que viver em missão tem sido isso mesmo: aceitar viver em festa, sabendo que os encontros e as relações, mesmo que intensas, compensam a fadiga e o desgaste de energia, que por vezes falta mesmo. Vamos à festa, nem sempre com a mesma vontade, e regressamos cansados, mas alegres. E, ao contrário do que se poderia pensar, as festas e os encontros nunca perdem o encanto. Há sempre um misto de ritual, repetição, tradição e de novidade, particularidade e aleatoriedade que tornam cada dia especial. Só temos de ir e deixarmo-nos surpreender!

 

Inês Rocha
Praia Melão (São Tomé), 2025-2026