Desde criança que sempre gostei de fardas; acho que tem que ver com o sentido de pertença a algo comum. Assim sendo, acho que quando pertenço a algo me entrego com rapidez à causa, “vestindo a camisola”. Hoje, ao partir em missão com os Leigos para o Desenvolvimento, sou convidada a “vestir” esta grande camisola, que só pode ser vestida com Deus e com a comunidade, que me fazem querer vesti-la melhor todos os dias.
Por isso, hoje queria falar-vos de duas pessoas que “vestem a camisola” do Grupo Comunitário do Bairro Samora Machel de uma forma inacreditável.
O Sr. Marcelo nasceu na província de Manica, tem 51 anos e é casado com a Mãe Morine, natural de Tete, razão pela qual vive cá. É pai de 4 filhos, a caminho do 5º… O seu dia só pode ter 48 horas, porque começa a manhã a treinar futebol e depois tem “a sua carpintaria (o seu emprego full-time), uma mercearia, um bar, uma quinta com frutas e casas para alugar”. No entanto, tem sempre tempo para o Grupo Comunitário, que para ele “é uma organização de moradores que pertence ao bairro Samora Machel, com o objetivo de servir o povo e trabalhar na sensibilização e combate a vários problemas: a água e o lixo”.
Quando lhe perguntei como conseguia ter tanta disponibilidade e tempo para o Grupo, respondeu: “Eu tenho tempo porque gosto de ser um membro ativo, de trabalhar para a comunidade, servir o povo do bairro, atendendo às necessidades deles…” e também partilhou que “eu estou mesmo com toda a vontade”. E disse ainda que “sirvo os necessitados, os que têm falta de água, fontanários, poços, falta de locais para depositar o lixo”.
O Sr. Marcelo partilhou que aspira ser um grande líder como Samora Machel. Realmente, a sua entrega ao Grupo Comunitário tem sido constante e, como disse: “nós estamos a trabalhar para a obra de Jesus Cristo, que trabalhou para o mundo sem pedir um centavo, ajudando, salvando e ensinando.”
O Sr. Albano nasceu em Tete, tem 41 anos é casado e teve até agora “5 sortes (filhos)”. É camionista e camponês, mas atualmente trabalha nas minas. Tem de sair de casa todos os dias pelas 4 horas da manhã e caminhar duas horas até apanhar o autocarro da empresa. Só regressa às 18 horas. Ao sábado trabalha até às 12 horas.
É secretário da Igreja Celebração e, no tempo que lhe resta, está sempre disponível para participar no Grupo Comunitário, acreditando que a sua participação “é importante porque ajuda a desenvolver a comunidade, como a mim mesmo”. Para ele, o seu maior sonho com o Grupo Comunitário é: “o desenvolvimento ambiental no bairro — o lixo e a água”. E é com convicção que partilha que “o grupo comunitário ainda é mais pequeno; se tivesse 2 ou 3 anos, a comunidade do bairro estaria mudada”. Para ele, o seu grande foco ao pertencer ao Grupo Comunitário é: “…eu estou para servir a comunidade. Não estou para ganhar qualquer coisa.”
No Evangelho, Jesus diz: “Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar as nações” (Mt 20,28). Ao olhar para estes dois grandes exemplos de serviço e de entrega, revejo Jesus e aprendo tanto sobre “vestir a camisola” para o serviço e crescimento dos outros.
Dou graças a Deus pelo meu caminho se ter cruzado com o deles, pelo dom das suas vidas e pelas suas amizades, que, como o Sr. Marcelo disse: “Cada pessoa que recebo fica gravada na minha mente.”
Joana d’Orey
Tete (Moçambique), 2025 – 2026
