Conheci os Leigos para o Desenvolvimento (LD) por acaso. O meu irmão vinha no Lumiar e, quando o ia visitar, fiquei muito triste porque, como a sua casa não tinha capela, não tinha onde celebrar a Eucaristia. Um dia, o meu irmão levou-me a um sítio lá perto onde sabia que tinha capela e foi assim que conheci onde trabalhavam os LD. Vi as fotografias, conheci o trabalho e logo os convidei para a Diocese de Benguela. Fazia todo o sentido até porque já estavam a trabalhar no Uíge, província de Angola situada no norte do país.
Primeiro, arranjámos-lhes uma casa em frente à Sé Catedral, só depois passaram para a Casa da Esperança, onde ainda hoje vivem. Começaram a procurar trabalho e ajudaram dando aulas no Seminário, colaboraram com a Cáritas e na paróquia da Sé, cada um acompanhando um movimento e dando um apoio também espiritual. Levei-os a conhecer outras paróquias e foram-se introduzindo nos bairros, como a Damba Maria, na altura pertencente à paróquia da Graça. Eu sempre vi os Leigos para o Desenvolvimento como vias para Deus na minha Diocese. Não são padres nem freiras, mas trabalham para a Diocese, sempre os vi como parte desta grande família. Por isso fazia questão de os convidar para todos os eventos e ações da Diocese; isso ajudava-nos a conhecê-los e penso que os ajudava também a sentirem-se apoiados. Sinto que faziam “um” comigo e com todas as congregações que constituíam a Diocese.
De facto, o seu trabalho foi sempre extraordinário, não só para as pessoas que beneficiaram diretamente, mas como procuram deixar as pessoas habilitadas para continuarem o seu trabalho, outras mais tarde acabaram por também beneficiar desta intervenção.
Agora que os LD se vão mudar para a Ganda é importante que saiba que a missão de Benguela continua, pois continuam a servir a mesma Diocese.
D. Óscar Braga
Bispo Emérito
