“Tudo tem o seu tempo.
Há um momento oportuno
para tudo o que acontece debaixo do céu.
Tempo de nascer e tempo de morrer;
Tempo de plantar e tempo de colher a planta.
Tempo de matar e tempo de salvar;
tempo de destruir e tempo de construir.
Tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de lamentar e tempo de dançar.
Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar;
tempo de abraçar e tempo de se separar.
Tempo de buscar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de esbanjar.
Tempo de rasgar e tempo de costurar;
tempo de calar e tempo de falar.
Tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz. (…)
As coisas que Ele fez são todas boas no tempo oportuno. (…)”
(Ec 3,1-11)
O que tenho a dizer sobre este primeiro mês em missão? Tenho-me sentido muito desafiada na forma como vivo o tempo e cada momento de forma inteira. Sinto que esta aprendizagem começou ainda antes da partida, naquele mês e meio de espera. Foi um tempo inesperado, gratuito, que me ensinou a não viver na ansiedade do que vinha depois, mas a estar inteira no tempo que me era dado. Hoje percebo que foi um ótimo treino para aquilo que agora vivo em missão.
Tempo para estar. Nesta fase inicial, somos chamadas sobretudo a estar: conhecer, observar, escutar, conversar. E Moçambique é um lugar privilegiado para aprender isso. Aqui o tempo corre sem urgência, há espaço para parar e perguntar: “Como está? Como acordou? Como está a família?”. Este tempo para estar também acontece em casa, com as minhas manas de missão, especialmente à mesa, onde as conversas são longas e ninguém tem pressa de as terminar.
Tempo para o silêncio. Por vezes, existe uma urgência de preencher o silêncio com palavras e ruído. Aqui, o silêncio é natural e faz parte das relações e das conversas. Estou a aprender a deixar espaço para o silêncio, como companhia e presença, e não como um vazio que tem de ser preenchido.
Tempo para partilhar. A oração comunitária diária tem sido um espaço essencial para parar e trazer ao coração aquilo que vivemos. É um tempo para recentrar, recordar Quem nos chamou e partilhar aquilo que vamos descobrindo.
Tempo de construir e confiar. No início da missão somos mais chamadas a escutar do que a fazer. É um tempo lento, às vezes abstrato e desconfortável, mas cheio de possibilidades. Construir com uma comunidade é sempre mais demorado do que construir sozinhos. A confiança nasce aqui: começar sem ver ainda os frutos, sabendo que virão no tempo oportuno. E é bonito ver que há tantas pessoas da comunidade que compreendem isso tão bem e querem fazer este caminho connosco.
Ainda é tudo tão novo e tão diferente, tanto que ainda não consigo nomear. Estou a aprender a estar aqui, a olhar à volta, a compreender e a deixar-me surpreender por este lugar. Tudo tem o seu tempo, e é o tempo oportuno para isto.
Mariana Ortigão
Tete (Moçambique), 2025 – 2026
