Conheço os Leigos para o Desenvolvimento desde 1999, quando iniciei o meu serviço missionário na Diocese de Lichinga, no norte de Moçambique. Fui então testemunha do excelente trabalho de promoção humana que realizaram nas Escolinhas Comunitárias do Niassa e na promoção do empreendedorismo juvenil e universitário. Não menos importante foi o testemunho cristão dado e o empenho pastoral, sobretudo entre os mais jovens.
Depois de um tempo de interrupção dos trabalhos em Moçambique, na sequência da missão de Cuamba, em 2018, apresentei à direção dos LD um convite para virem trabalhar para a diocese de Tete. Na sequência das necessidades, oportunidades e potencialidades diagnosticadas nesta diocese, foi identificado como local carenciado de apoio e dinamização o Bairro Samora Machel, na periferia da cidade, onde se situa a recém-criada Paróquia de São Carlos Lwanga de Canongola.
Assim se deu, no passado mês de outubro, o regresso dos Leigos para o Desenvolvimento à diocese onde já haviam estado, então nas missões de Lifidzi e Fonte Boa, na Angónia, entre 1994 e 2006.
Agora, vivendo na cidade, o Samuel, a Marta e a Pilar deslocam-se diariamente a Canongola, ao referido bairro, que conta com mais de 70.000 habitantes e poucas estruturas sociais. Neste tempo inicial os três voluntários leigos têm conhecido as pessoas, as necessidades e prioridades de ação sociopastoral. Assim, vão estabelecendo as bases para se dedicarem ao serviço do desenvolvimento humano e espiritual destas pessoas que habitam uma localidade de realidade complexa e desafiante do ponto de vista socioeconómico e cultural.
Dar assistência espiritual às zonas mais periféricas e abandonadas e ao mesmo tempo responder aos desafios pastorais emergentes, sobretudo da pastoral urbana e juvenil, são as prioridades da diocese. É neste contexto que os Leigos para o Desenvolvimento são chamados a viver a sua missão, sobretudo atuando junto dos jovens e com os jovens.
Tete é uma cidade com muitos jovens, muitos deles imersos numa crise socioeconómica e cultural. O desemprego generalizado atinge mesmo aqueles que terminaram o nível superior de ensino, impedindo-os de construir dignamente a sua vida e o seu futuro. Ressentem-se da ausência dos seus direitos básicos: habitação, saúde, transporte, etc.
Por isso, que o ano jubilar que em breve se inicia seja ocasião para um impulso a favor dos jovens. Com renovada paixão, cuidemos dos adolescentes, dos estudantes, das gerações jovens! Mantenhamo-nos próximo deles na alegria e na esperança, da Igreja e do mundo!
Ser testemunhas de esperança é o lema que terão pela frente estes jovens voluntários leigos.
D. Diamantino Antunes
Bispo da Diocese de Tete, Moçambique
