Estar em São Tomé também é aprender a viver longe da família e dos amigos. É nessa distância que descobrimos como o “colo” é essencial. Colo é casa, é conforto nos momentos mais difíceis, é o abraço que não resolve tudo, mas que nos faz sentir amados. É aquele espaço onde podemos simplesmente ser. É o lugar onde o coração pode repousar quando o cansaço, a dúvida ou a saudade apertam.
Ao longo destes meses de missão tenho descoberto vários colos.
Há o colo da minha comunidade, daqueles com quem partilho o dia a dia. É um colo feito de rotinas, de conversas, de gargalhadas, de silêncios e de abraços quando o cansaço aperta. É o colo que conhece as minhas fragilidades e que me levanta. É um colo que sustenta, que desafia e que envia.
Há também o colo da comunidade local. Mesmo quando não somos muito próximos, quando as relações ainda estão a crescer, há pessoas que se tornam abrigo. Um sorriso, uma conversa, um abraço inesperado, brincar com as crianças ou simplesmente estar sentada ao lado a fazer companhia. Pequenos gestos que me fazem sentir em casa.
Há também o colo da oração, do encontro com Deus ao final do dia. Na certeza de que, mesmo quando me sinto frágil, sou amada e sustentada por Ele.
Percebo que ser colo é também parte da minha missão. Sou chamada não só a procurar esse espaço de conforto, mas a oferecê-lo. A estar disponível, a escutar e a acolher as dores e as alegrias dos outros. Sou chamada a criar, com a minha presença, um lugar seguro onde alguém possa repousar e simplesmente ser.
Nestes meses de missão tenho aprendido que o colo se constrói na entrega e na partilha. E, no fim, é isso que nos sustenta: saber que há sempre um colo onde regressar e que também nós podemos ser colo para alguém. É reconhecer que não caminhamos sozinhos.
Matilde Lourenço
Praia Melão (São Tomé), 2025-2026
