O dia 7 de abril, aqui em Moçambique, é um dia muito importante: o Dia da Mulher Moçambicana, dia que celebra a força e a importância da mulher na sociedade, mas também é uma homenagem à luta, resiliência e ao papel fundamental na independência e desenvolvimento de Moçambique. Como tal, tivemos a oportunidade de celebrar esta data no bairro, com várias mulheres que fazem parte da nossa missão.
Ao longo do dia, o que mais me chamou a atenção foi a alegria e todos os pormenores a que as mulheres se dedicam para celebrar este dia. Convivendo com elas no dia a dia, percebe-se facilmente a força e a presença que têm na comunidade.
Uma coisa que me marcou muito foi ver mulheres de todas as gerações a celebrar: mães, avós, jovens, crianças… Foi realmente bonito perceber como cada uma vive este dia, mas também o que significa ser uma mulher moçambicana. Um pouco para contrariar o quotidiano e a rotina, no dia 7 muitas não trabalham para se divertirem, é um dia em que se dedicam a 100% a si próprias e em que se permitem priorizar-se.
Se tivesse de escolher um momento que definisse este dia, seria o final da missa: na nossa paróquia, onde estavam todas as mulheres que decidiram ir à missa em sua honra, a cantar e a dançar todas juntas, com uma alegria e energia contagiante.
Este dia levou-me a refletir sobre a forma como, por vezes, olhamos para a vida. Muitas vezes damos mais importância às grandes lutas e conquistas e esquecemo-nos das pequenas vitórias do dia a dia. Contudo, aqui vi mulheres que sabem valorizar ambas as coisas.
Gostava de agradecer por todas as mulheres que têm passado pela minha vida e pela minha missão. Cada uma delas, através do seu testemunho, me ensinou e ainda ensina a ser mais forte e acreditar nos meus sonhos, mesmo quando o caminho exige esforço e perseverança.
A terminar deixo um convite a toda a comunidade: saibamos valorizar estes dias especiais e compreender o seu verdadeiro significado. Estas celebrações existem porque, ao longo do tempo, muitas pessoas lutaram para que hoje possamos reconhecer a dignidade, o valor e o papel de cada pessoa na sociedade.
Leonor Lopes
Tete (Moçambique), 2025-2026
