Aqui em Tete, percebi que o sorriso pode nascer apenas do simples ato de perguntar “Muli tani?” (“Como está?”, em Nyungwe).
Um sorriso grande, de quem dá tudo o que tem. Como quando nos recebem nas suas casas e nos oferecem sempre uma cadeira para nos sentarmos. Como cuidam e se preocupam com os outros e se unem para visitar alguém que está doente ou necessitado, oferecendo o que têm. Como nos ajudam a conhecer melhor a sua cultura e o bairro Samora Machel em que vivem. Como nos ensinam a cozinhar os seus pratos favoritos de Moçambique e até a trocar um pneu do carro.
Um sorriso genuíno que dá início a uma conversa. Falam-nos das suas famílias, dos seus negócios e empregos, das suas alegrias e das suas preocupações. Deixam-nos entrar, “panghono panghono” (“pouco a pouco”, em Nyungwe), nas suas vidas. E assim criam-se relações transparentes e verdadeiras.
Um sorriso humilde, porque mesmo nas dificuldades e imprevistos não deixam de sorrir. Não escondem, mas têm coragem para ver o lado bom das coisas e continuar a sonhar. E, mesmo na simplicidade, sabem dar de mãos abertas.
Tenho refletido que a missão é entrega ao outro, disponibilidade para estar e ouvir. Quando nos abrimos assim, recebemos muito, tal como recebi e partilhei nestes momentos. Que alegria poder viver isto!
Senhor, ajuda-me a reconhecer que estes sorrisos são Teus, que são um reflexo de Ti.
Maria Salema Guilherme
Tete (Moçambique), 2025-2026
