O amor como critério de gestão – o meu critério de gestão –, tem implicações: uma delas é a ligação entre a empresa e o sofrimento social. Em rigor, as empresas devem, de modo sistemático e como forma de vida, cruzar-se com as organizações que se dedicam a dar resposta a esse sofrimento.
A sociedade de advogados de que sou sócio instituiu um prémio que visa tornar estruturante aquela atitude e aquele compromisso: o Prémio Serviço.
Todos os anos é aberta uma candidatura e é escolhido um advogado ou um colaborador, com desempenho de mérito, para prestar voluntariado, durante um mês, numa ONG seleccionada pela sociedade. Trata-se verdadeiramente de um prémio e a sua filosofia é que não há prémio maior do que o Serviço.
A primeira instituição que ajudámos foi os Leigos para o Desenvolvimento, em S. Tomé e Príncipe, em 2011. O vencedor foi um sócio, pai de quatro filhos, com mais de 50 anos. Seguiu-se, em 2012, uma jovem advogada, com as mais elevadas avaliações, que foi para Moçambique. Depois, um sócio com cinco filhos e três netos fez o seu voluntariado em Portugal (comunidade Vida e Paz). Este ano, uma advogada e mãe de família, voou para Timor-Leste. Os resultados, quer no impacto directo da missão, quer no efeito inspirador e transformador no vencedor do prémio, são imensos. O impacto interno em muitos outros, sobretudo nos do coração puro, é intenso. E o efeito na cultura da sociedade, na firmeza dos seus valores, sobretudo no valor da Humanidade, é relevante. Transformar o Serviço num valor estruturante da empresa é uma missão inalienável de um líder empresarial cristão.
António Pinto Leite
Sócio da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados
Embaixador dos Leigos para o Desenvolvimento
