Este mês, tivemos a oportunidade de conhecer a missão de São José de Boroma, no âmbito de um Curso para missionários da Diocese de Tete. Situada no alto de uma colina e marcada pela beleza da sua igreja, esta missão é também um lugar profundamente ligado à história da evangelização.
Ao estar ali, imaginei os primeiros missionários jesuítas a chegar, subindo o rio Zambeze no século XIX, e tomei mais consciência da grandeza da Igreja. Na minha pequenez – como um anão aos ombros de gigantes – senti-me, de certa forma, ligada a esses primeiros missionários, unida pelo mesmo desejo de entrega e de partilha da esperança e da alegria que vêm de Deus.
Em missão, encontrei uma Igreja viva e em crescimento. Os padres e irmãs que dedicam a sua vida às pessoas e às comunidades e, mesmo com a grande extensão da província de Tete, procuram chegar a todos. Encontrei também tantos leigos que contribuem para esta grande missão, os animadores da comunidade que, estando sempre atentos “aos seus”, aproximam a Igreja de cada pessoa, os catequistas que transmitem a fé e o conhecimento, e os movimentos, grupos e comunidades que, pela sua entrega, serviço e amor ao próximo, dão vida à Igreja. Esta realidade mostrou-me que cada pessoa é verdadeiramente essencial nesta construção.
Ao refletir sobre tudo isto, lembrei-me do que Santa Teresinha escreveu:
“Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. (…) No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará.”
Percebi que é mesmo este amor que nos une – desde os primeiros missionários até hoje – e é também a este amor a que todos nós somos chamados.
Maria Salema Guilherme
Tete (Moçambique), 2025-2026
