Peaky Blinders: uma história bem contada da sombra e da violência

Uma boa história, bem narrada, que entra nos esconsos da violência e da sombra humanos. A luz que aí encontraremos virá, em grande parte, daquela com que nos dispomos a entrar.A série Peaky Blinders é a sugestão Brotéria desta semana.

Uma boa história, bem narrada, que entra nos esconsos da violência e da sombra humanos. A luz que aí encontraremos virá, em grande parte, daquela com que nos dispomos a entrar.A série Peaky Blinders é a sugestão Brotéria desta semana.

Tudo começa com a cinematografia: o cinzento de Birmingham, a penumbra luminescente dos trabalhadores do aço e do carvão, os esconsos de miséria e angústia da Inglaterra pós I Guerra Mundial. Ainda sob o feitiço da imagem, somos apresentados aos Peaky Blinders e à família Shelby, ciganos católicos que abandonaram a vida nómada, e que, com argúcia e violentamente, vão ganhando poder.

O mal não é branqueado, nem escondido, nem justificado; é-nos simplesmente apresentado, tal qual convivemos com ele quotidianamente: sedutor, poderoso e antropofágico. Cillian Murphy dá corpo e voz ao acutilante e atormentado Thomas Shelby, o caudilho, que é superiormente secundado por Helen McCrory (Aunt Polly) e Paul Anderson (o irmão Arthur); este é o núcleo duro da família, todos eles forças indomáveis, tarimbados pela I Guerra Mundial, conhecedores íntimos dos traços de cada um. Como seus antagonistas, deparamo-nos com polícias e criminosos interpretados por atores como Sam Neill, Tom Hardy ou Adrien Brody, que vão marchando diante do nosso ecrã ao som de Nick Cave, Joy Division, PJ Harvey, Max Richter, The White Stripes, David Bowie, Arctic Monkeys, Radiohead…

Uma boa história, bem narrada, que entra nos esconsos da violência e da sombra humanos. A luz que aí encontraremos virá, em grande parte, daquela com que nos dispomos a entrar.

 

Género: Drama, Crime Duração: 50m – 60m Criador Steven Knight País: R.U. Produtora: Katie Swinden Distribuição: Netflix Transmissão original: 12 de setembro de 2013 Nº de temporadas: 5 Nº de episódios: 37

 

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.


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Esta seção é da responsabilidade da revista Brotéria – Cristianismo e Cultura, publicada pelos jesuítas portugueses desde 1902.

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