Maria, uma inspiração para ser mãe

O amor incondicional de Maria, a sua ternura, fé, capacidade de aceitação do sofrimento, o amar sem esperar nada em troca, o fazer-se presente, tocam-me de forma muito especial e têm sido fonte de inspiração nesta experiência maravilhosa.

O amor incondicional de Maria, a sua ternura, fé, capacidade de aceitação do sofrimento, o amar sem esperar nada em troca, o fazer-se presente, tocam-me de forma muito especial e têm sido fonte de inspiração nesta experiência maravilhosa.

Hoje, dia 1 de maio, celebra-se o Dia da Mãe. Durante muito tempo, em Portugal, a data comemorava-se a 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, a conceção de Jesus Cristo através da Virgem Maria (ainda hoje há quem prefira celebrar nessa data). Na década de 1970, a data foi alterada para o primeiro domingo de maio, tendo-se mantido o significado – na tradição católica, maio é o mês de Maria, a mãe de Jesus Cristo.

Pelos quatro cantos do mundo, comemora-se o Dia da Mãe, mas a data varia consoante o país.

Neste dia, somos desafiados a celebrá-lo e a presentear as nossas mães (sejam elas de sangue ou não), e muitos de nós recordam com saudade e carinho as suas mães que já não estão aqui connosco e, uma em particular, que deve ser lembrada como exemplo – Maria, Mãe de Jesus.

Desde que tenho memória, sempre quis ser mãe. Talvez por ter tido a sorte de ter uma mãe muito presente e cujo exemplo de vida, ainda hoje, me inspira. À medida que fui crescendo, a ideia de constituir uma família e de ter filhos tornaram-se cada vez mais centrais naquilo que pretendia para a minha vida. Quis Deus que eu demorasse algum tempo a encontrar a pessoa ideal para eu concretizar o sonho de ser mãe. E ainda bem… porque ao lado do Miguel tenho conseguido concretizar o sonho da maternidade “de várias formas”: temos três filhos biológicos e, até agora, dois “filhos temporários”. Desde 2020 que somos família de acolhimento. Durante o ano de 2021 acolhemos um bebé, que, entretanto, já foi adotado e com quem nunca perdemos a ligação. Neste momento, temos ao nosso cuidado, desde que nasceu, um bebé de sete meses e para o qual ainda não se conhece o projeto de vida. São tratados como filhos, desde o dia em que chegam e até precisarem. Enquanto vivem connosco, eu sou a mãe deles, o Miguel é o pai e os nossos filhos são os irmãos, e todos se adoram. Só sabemos fazer assim. Com um amor imenso por cada um. O desafio de ser mãe implica, também, dar liberdade e asas para o futuro. Estes bebés ganham asas mais cedo do que os nossos, quando partem para as famílias deles. E é com imensa ternura e amor que os vemos partir, com a verdadeira sensação de missão cumprida.

Enquanto vivem connosco, eu sou a mãe deles, o Miguel é o pai e os nossos filhos são os irmãos, e todos se adoram. Só sabemos fazer assim. Com um amor imenso por cada um.

Sou mãe há 10 anos. Antes de ser mãe, nunca senti a necessidade de ler livros sobre maternidade, nem nunca ambicionei ser uma mãe perfeita. Hoje, ao fim de dez anos, e após viver alguns desafios da maternidade, olho para Maria, Mãe de Jesus, de forma muito (mais) séria e com imensa admiração. O seu amor incondicional, a sua ternura, a sua fé, a sua capacidade de aceitação do sofrimento, o amar sem esperar nada em troca, o fazer-se presente, tocam-me de forma muito especial e têm sido fonte de inspiração nesta experiência maravilhosa de ser mãe. O Evangelho, para além de nos dar a conhecer o exemplo de Maria, tem-nos inspirado, também, para exercer outras formas de parentalidade. Deus desafia-nos a estarmos atentos ao próximo, em particular, aos mais frágeis. A nossa família tem estado ligada, desde sempre, à realidade e necessidades de crianças institucionalizadas e sempre foi um assunto que nos tocou – como é que podemos, enquanto família, fazer a diferença nestas vidas tão frágeis? Quando temos amor para dar e há crianças a precisar de (muito) amor, o que é que Ele nos pede? Simples… para abrir as portas e os corações da nossa família a quem precisa, não sabemos por quanto tempo, de uma família.

E sou mesmo uma sortuda. Tenho a sorte de ser mãe de três miúdos maravilhosos e a sorte de poder ser mãe de outros que venham a precisar.

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.