Como um certo espelhamento - Ponto SJ

Como um certo espelhamento

Retrospectiva inédita de Manuel Costa Cabral revisita seis décadas de desenho e pintura na Brotéria.

Retrospectiva inédita de Manuel Costa Cabral revisita seis décadas de desenho e pintura na Brotéria.

No dia 21 de novembro de 2025, às 18h00, a Brotéria inaugura Como um certo espelhamento, uma exposição dedicada ao vasto espólio de Manuel Costa Cabral (1941), reunindo obras de pintura e desenho realizadas desde a década de 60 até aos nossos dias. Esta mostra apresenta ao público um conjunto raro e abrangente do percurso desta figura marcante, mas simultaneamente discreta, da história da arte portuguesa.

A exposição parte de um princípio de revisitação: o de olhar para décadas de criação e perceber nelas um fio contínuo, um espelhamento subtil de formas e sensibilidades que atravessam o tempo. No núcleo das obras selecionadas, encontra-se um vocabulário plástico que Costa Cabral foi construindo de modo livre, experimental e intuitivo. Figuras recorrentes, composições que dialogam entre si e uma gestualidade pictórica muito própria compõem este “pequeno cosmos visual”.

O contexto biográfico reforça o alcance desta exposição. Mais do que se focar numa carreira individual, Manuel Costa Cabral sempre entendeu a arte como construção coletiva, colocando o ensino e o desenvolvimento das artes plásticas no centro da sua vida, ainda antes do 25 de Abril. Professor de referência, cofundador do Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), e a assumir a direção do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, desempenhou um papel decisivo na renovação pedagógica e institucional da arte em Portugal. Ainda assim, a sua obra enquanto autor permanece menos conhecida do que o seu contributo formador – lacuna que esta retrospectiva procura reparar.

Visitar Como um certo espelhamento é, por isso, uma oportunidade rara para descobrir uma voz artística singular, cuja subtileza e profundidade dialogam com a história recente da arte portuguesa. Na Brotéria, o público encontrará não apenas um percurso de mais de seis décadas, mas também um convite à contemplação e à redescoberta do lugar do artista no nosso imaginário comum. Uma exposição para ver devagar – e não esquecer.

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.


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Esta secção é da responsabilidade da revista Brotéria – Cristianismo e Cultura, publicada pelos jesuítas portugueses desde 1902.

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