“Brilha, enquanto vive” não é uma exposição sobre teatro. Ainda assim, pode ser lida à luz da ideia de que tudo reside na relação entre quem age e quem observa, num espaço partilhado onde algo acontece – princípio muito bem trabalhado por Peter Brook. Propõe ao visitante um território onde a arte visual se aproxima da lógica da ficção e do pensamento teatral, não como espetáculo tradicional, mas como experiência partilhada.
Os artistas Xavier Ovídio e João Timóteo apresentam, na galeria da Brotéria, em Lisboa, uma exposição em diferentes escalas.
O ambiente é construído como se fosse um cenário em permanente ensaio. Há estruturas provisórias, vestígios de ações, ruínas de cenografias e uma presença sonora que atravessa o espaço como uma voz que desenha princípios imaginários. Os artistas ensaiam a origem de uma possível dramaturgia, instável e em construção, que parece pertencer a todo o lado e a lado nenhum. O visitante é convocado não apenas a ver, mas a habitar esse intervalo entre escuta, imaginação e presença.
Também a própria raiz da palavra teatro, do grego theaomai, remete para um olhar atento e envolvido, um ver que convoca inteligência, sensibilidade e imaginação. É precisamente nesse lugar que “Brilha, enquanto vive” se instala, explorando o impulso humano de contar e escutar histórias como forma de ampliar a experiência do quotidiano.
“Brilha, enquanto vive”, de Xavier Ovídio e João Timóteo tem entrada livre, podendo ser visitada diariamente das 10h às 18h. A inauguração acontece no dia 29 de janeiro, das 18h às 20h30.
Mais informação no site da Brotéria.
* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.
Sugestão Cultural Brotéria
Esta secção é da responsabilidade da revista Brotéria – Cristianismo e Cultura, publicada pelos jesuítas portugueses desde 1902.
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