Playlist para um fim de semana tranquilo em casa

O jornalista Tiago Freire reconhece que o fim de semana perdeu algum do seu charme com a fusão entre ambientes pessoais e profissionais, mas ainda assim deixa-nos uma playlist para gozar em casa, com o sol a entrar pela janela.

O jornalista Tiago Freire reconhece que o fim de semana perdeu algum do seu charme com a fusão entre ambientes pessoais e profissionais, mas ainda assim deixa-nos uma playlist para gozar em casa, com o sol a entrar pela janela.

O fim de semana é há muito um momento de pausa, de descanso, de família e de descoberta. O ideal é ter, em si, todos estes momentos, enquanto tentamos enfiar em 48 horas todas as coisas que não pudemos fazer durante a semana. Em pleno confinamento ligado à pandemia, o fim de semana perdeu algum do seu charme, temos de reconhecer, com esta fusão entre ambientes pessoais e profissionais. Mas é, pelo menos, um período em que o telefone toca menos vezes, os problemas para resolver têm a delicadeza de esperar por segunda. O que proponho é uma banda-sonora para um fim de semana tranquilo, em casa, deixando entrar pela janela o sol primaveril que finalmente parece querer afirmar-se.

1 – Storybook Children – Nancy Sinatra & Lee Hazlewood

Sábado de manhã é, para muitos, o som das crianças. Propomos uma viagem a 1968, com esta dupla incrível, com uma música que nos fala do desejo de ser criança, de habitar nesse mundo mágico onde tudo é mais inexplicável mas, na verdade, mais fácil.

 

2 – Most of the time – Bob Dylan

Dylan tem dezenas de canções que musicam facilmente a nossa vida. Esta música, do final dos anos 80, nem sequer é das mais conhecidas, mas é das mais pessoais e mais profundas. Ideal para um momento de pausa, para ouvir dando atenção às palavras.

 

3 – Jim Cain – Bill Callahan

Este norte-americano é ainda um segredo bem guardado, mas é na minha opinião o cantor/compositor mais impactante dos últimos largos anos. As histórias prosaicas são muitas vezes apenas a desculpa para tratar de temas intemporais que a todos tocam. Callahan parece que faz música sozinho, numa montanha, de tal forma soa realmente acima de todos os outros. Jim Cain é apenas uma das suas mais incríveis e bonitas composições.

 

4 –Trains across the sea – Silver Jews 

Tal como Callahan, os Silver Jews operavam num universo acima da concorrência. Aqui, menos de meia dúzia de acordes é mais do que suficiente para uma música que consegue a proeza de ser ao mesmo tempo empolgante e serena. Uma pérola.

 

5 – Hallogallo – Neu!

Da Alemanha, trago talvez o tema mais paradigmático dos Neu!, um dos expoentes máximos do movimento que ficou conhecido como krautrock. Uma pequena injeção de energia para nos fazer levantar do sofá e ir fazer qualquer coisa.

 

6 – Sunday Morning – The Velvet Underground

O célebre “álbum da banana”, de 1967, é um dos discos mais conhecidos e marcantes do panorama rock. Lou Reed e companhia destacaram-se sobretudo pelo cruzamento de melodias fortes com o lado mais experimental, mas nunca soaram tão plácidos como aqui, neste domingo de manhã.

 

7 – River – Joni Mitchell

Um dos temas da sua obra-prima de 1971, Blue, este River comove-nos com a sua beleza. Uma canção acerca do cansaço, de luta, do desejo de regresso a casa. Uma fuga através do rio, para um local de paz e de refúgio.

 

8 – Margaritas at the mall – Purple Mountains

David Berman, o mentor e vocalista dos já mencionados Silver Jews, teve nos Purple Mountains o último e extraordinário projeto da sua curta vida. Margaritas at the mall é ilusoriamente pop, com a música catchy a suportar uma letra sobre a busca por Deus e o seu insuportável silêncio.

 

9 – One of these things first – Nick Drake

Um dos mais geniais compositores britânicos, Nick Drake teve uma vida breve e deixou apenas três discos, todos eles imperdíveis. Este tema, do seu segundo disco, de 1970, é a história de um homem que, sob um fundo folk-jazz, questiona tudo aquilo que poderia ter sido, desde um marinheiro até um letreiro na parede.

 

10 – What are you doing the rest of your life – Bill Evans

O disco From left to right, onde surge este tema, é um prodígio de paz e elegância. Nele, o grande pianista de jazz alterna o piano acústico com a sua versão elétrica, num conjunto de temas de extraordinária beleza. Um momento de placidez para respirar, acalmar, e aproveitar o que resta do fim de semana.

 

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.