Com 12 canções, o álbum “Livro Arbítrio” desafia a redescobrir a palavra e a leitura num tempo de hiperestimulação que parece perdê-las. Nascido da consciência de que vivemos uma crise de linguagem partilhada para falar bem da vida e da interioridade humana, o projeto une música e literatura para nos aproximar dos chamados clássicos da literatura. Criado por Zipoli — grupo de jovens músicos ligados à Companhia de Jesus — tem à frente o jesuíta P. Miguel Pedro Melo, compositor e intérprete. O primeiro single estreia hoje à meia noite nas plataformas digitais; o álbum completo e uma apresentação ao vivo chegam no início de setembro.
“Este projeto foi nascendo de conversas entre jesuítas que geraram a consciência de duas coisas que vão acontecendo na nossa vida pastoral: por um lado, a noção de que há imensas pessoas ligadas à Província Portuguesa da Companhia de Jesus que têm muita ligação às artes e à música em particular. E ainda a perceção que temos, através do acompanhamento que fazemos a tantos jovens, de que muitos têm uma profunda falta de linguagem. Têm dificuldade em falar da sua interioridade”, explica o P. Miguel Pedro Melo. Na verdade, há gestos e mundos que podem desaparecer quando não temos palavras partilhadas para lhes aceder. A convicção de que esta perceção era mais universal do que inicialmente pensada chegou quando, em 2024, o Papa Francisco escreveu uma carta sobre a importância da leitura na educação humana, onde afirma: “a literatura ajuda-nos a dizer a nossa presença no mundo, a “digeri-la” e a assimilá-la, captando o que vai para além da superfície da experiência”. Esta carta foi uma verdadeira confirmação do projeto.
O álbum Livro Arbítrio é composto por 12 canções que não são religiosas, mas que têm uma motivação pastoral e querem ajudar a elevar. Não pretendem dar a conhecer apenas a letra escrita mas a virtude e a virtualidade que a anima. Propõem um percurso total e um caminho individual: enquanto percurso total, as músicas integram capítulos com uma estrutura semelhante à dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loiola. Trata-se de um percurso espiritual católico, no qual se propõe uma série de exercícios meditativos ou contemplativos que pretendem criar na disposição daquele que se exercita a experiência de ser parte integrante de uma narrativa.
O grupo Zipoli é composto por 25 músicos. O seu nome foi buscar inspiração ao jesuíta Domenico Zipoli, compositor italiano do século XVII que foi contratado pelos jesuítas para ser o organista da Igreja do Gesù, em Roma, e acabou por entrar na Companhia de Jesus.
O primeiro single será lançado no dia 15 nas plataformas digitais de som, como o Spotify. No início do mês de setembro será apresentado o álbum na sua totalidade, nos mesmos canais, e numa apresentação ao vivo, em data e local a anunciar.
O P. Miguel Pedro Melo atualmente vive em Roma, onde colabora com a Rede Mundial de Oração do Papa.
Já pode ouvir o primeiro single Ler é Ser Lido.
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* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.