Évora saiu à noite - Ponto SJ

Évora saiu à noite

Entre o claustro da Sé e o templo de Diana, entre fado e oração, mais de 500 pessoas percorreram as ruas de Évora na noite de 17 de junho, na primeira edição do «À Noite na Cidade», para busca de "bússolas interiores".

Foi ao final da tarde de quarta-feira, dia 17 de junho, que Évora se preparou para receber a primeira edição do À Noite Na Cidade, uma proposta para viver a fé cristã no coração da cidade que nasceu em Lisboa e foi este ano promovida pela primeira vez pelos Jesuítas em Évora. Centenas de participantes aceitaram o convite e desafio para redescobrir a cidade alentejana num ritmo sereno, entre cultura e espiritualidade, como prometia o próprio convite: ver as ruas “ganhar outra luz” e o céu mostrar-se “de uma forma que o dia não permite ver”.

Cr%C3%A9ditos%20da%20Fotografia%3A%20Marta%20Matias
Créditos da Fotografia: Marta Matias

Tudo começou no claustro da Sé de Évora, ponto de partida e de lançamento oficial da noite. Foi ali, com o claustro a encher-se de gente, que o diácono Vasco Teixeira sj, deu as boas-vindas a mais de 500 pessoas, e o P. Nuno Tovar de Lemos sj, apresentou o imaginário da noite, convidando cada um a “buscar a sua bússola interior”.

Da Sé, a multidão saiu rumo às Portas de Moura, até à Casa Cordovil. Foi precisamente no Mirante, com a multidão estendida em baixo, que o fado ecoou na noite: pela voz de Peu Madureira, acompanhado pela guitarra portuguesa de Felipe Núncio e pela viola de Lourenço Vaz da Silva, que se uniram neste fado à varanda, conferindo uma atmosfera ainda mais especial ao momento.

Cr%C3%A9ditos%20da%20Fotografia%3A%20Marta%20Matias
Créditos da Fotografia: Marta Matias

Mas a noite ainda guardava a sua imagem mais inesperada: a Praxis, a discoteca mais conhecida de Évora, transformada por algumas horas em “capela”. Foi dali que partiu a proposta de oração guiada pela cidade – uma oração para ser feita a caminhar, ouvida por uns, lida por outros, enquanto centenas de pessoas atravessavam as ruas em direção ao templo romano. Aqueles que se cruzaram com o grupo ficaram curiosos e foram interpelados pela atitude silenciosa e tranquila de tanta gente.

Ao chegar à praça do templo, as pessoas permaneceram em silêncio até terem concluído a proposta de oração. Depois disso, todos foram convidados a erguer um copo de vinho para fazer um brinde, com um ótimo vinho branco do Esporão. Foi Miguel de Mello Breyner quem ergueu a taça para propor o brinde à cidade e aos seus habitantes, fê-lo de forma sentida e serena, o que ajudou a fazer a transição entre o momento de oração pessoal e o último momento da noite, a Eucaristia.

No Paço de São Miguel, da Fundação Eugénio de Almeida, a noite encontrou o seu ponto mais alto. Ali, ao ar livre, celebrou-se a missa, presidida pelo P. Miguel Gonçalves Ferreira, sj, e animada por um coro fantástico, dirigido pelo P. Rui Fernandes, sj, que muito contribuiu para a beleza e para o espírito de oração na celebração. À celebração juntaram-se outros jesuítas, nomeadamente o P. António Sant’Ana, sj, diretor da RMOP Portugal, o P. Nelson Faria, sj, Coordenador da Pastoral Juvenil e restantes membros da comunidade jesuíta de Évora, bem como alguns padres salesianos de Évora e vários padres diocesanos da cidade, numa imagem de Igreja unida e reunida, em torno da mesma mesa.

Cr%C3%A9ditos%20da%20Fotografia%3A%20Marta%20Matias
Créditos da Fotografia: Marta Matias

Foi já perto da meia-noite que o P. Miguel Gonçalves Ferreira encerrou a missa e com ela esta primeira edição do À Noite Na Cidade. A homilia ficou marcada por uma citação de Pascal, que nos seus Pensamentos coloca na voz de Deus a seguinte frase: “Consola-te, tu não me procurarias se não me tivesses encontrado.” Foi talvez a frase que ficou a ressoar nos corações que por ali passaram, muito depois de as luzes do Paço se terem apagado.

No final, ficou a sensação de missão cumprida. “Creio que muitos corações foram tocados e acredito que os níveis de desejo de Deus e de esperança cresceram bastante ontem à noite em Évora!”, resumiu Vasco Teixeira, responsável pela organização desta primeira edição e que contou com uma equipa organizadora. Quem ali esteve dificilmente discordará: Évora, naquela noite, foi mesmo à procura. E, como Pascal recordou no fim, só foi capaz de procurar porque, de alguma forma, já tinha encontrado.