No sábado, dia em que a Igreja celebrou a Epifania do Senhor, o P. Francisco Martins, sj fez os seus últimos votos na Companhia de Jesus. A celebração decorreu ao final da tarde na Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar, comunidade paroquial onde o P. Francisco deu os primeiros passos na fé e a que pertence a sua família. A celebração que assinala a sua incorporação definitiva no corpo da Companhia de Jesus aconteceu num dia de particular devoção e festa para os jesuítas, uma vez que, sendo dia 3 de janeiro, assinalou-se também a Solenidade do Santíssimo Nome de Jesus.
Na homilia, o P. Miguel Almeida, Provincial dos Jesuítas, explicou o significado da celebração da epifania, enquanto revelação de Deus, e a sua relação com a vocação de cada um, em particular, do P. Francisco. “A vocação é a apropriação da epifania, o modo como cada um de nós acolhe essa revelação de Deus e lhe responde. É acolher o modo como Deus se nos revela.” Ainda no rescaldo do tempo de Natal, marcado por tantas luzes e espectáculo, o P. Miguel lembrou que o nascimento de Deus é simples e que “o nosso Deus é um Deus que se revela na paz, na simplicidade e no silêncio”. E deixou a questão: “como é que minha vida pessoal posso acolher este Deus que se revela? Como é que cada um de nós responde a esse amor?”
Logo após o momento da consagração, o P. Francisco professou os seus votos solenes. Para além dos três votos da vida religiosa – pobreza, castidade e obediência – estes últimos votos incluem um quarto voto de “disponibilidade especial” ao Papa e uma promessa de especial cuidado na educação das crianças. No final da celebração, fazem-se cinco votos relativos à vida interna da Companhia, chamados votos de sacristia.
Ainda antes de terminar a celebração, que contou com a presença de muitos familiares, amigos, companheiros jesuítas e alguns representantes das autoridades civis locais, o jesuíta agradeceu a Deus pelo caminho de vida percorrido. “Quero agradecer a Deus o dom da vida, o dom da fé, o dom da vocação, o dom da amizade no Senhor. Como dizia um amigo há dias: eu sou um homem normal a quem aconteceram coisas maravilhosas. É assim que me sinto; sem Deus sou quase nada. No entanto, com a sua graça tenho podido ser e fazer muito mais do que teria imaginado. Graças a Deus, sempre.”
Após a celebração, a festa que foi preparada pela comunidade paroquial decorreu numa escola nas imediações da paróquia. O P. Francisco Martins regressa agora a Roma, onde exerce a sua missão como professor na Faculdade Bíblica do Pontifício Instituto Bíblico.
Fotografia: Ir. José Silva, sj
