No dia 3 de agosto de 2023 o Papa Francisco chegava ao Parque Eduardo VII para as Jornadas Mundias da Juventude e o Campo de Gambozinos III, juntamente com o Campo de Serviço. O Papa partira de Roma e os Gambozinos? De Lisboa, Porto, Braga, Pragal ou Peniche? Bem, sim, mas muito mais do que isso. Os Gambozinos (participantes do campo) partiram do pedaço do Reino que tinham construído, nos últimos 4 dias, no meio da Azambuja! Pelo menos foi esta a resposta que um dos participantes do campo deu, ao ser entrevistado em direto para a CNN. “De onde é que vocês vieram?”- perguntou o repórter, “Viemos dos Gambozinos”- respondeu o participante, sem hesitar.
Sair do campo e ir para o meio das Jornadas foi uma experiência única e irrepetível. Imaginem lá bem, o que seria acordarem de manhã na vossa tenda e pensarem: “Hoje vou ver o Papa!” Nem os imaginários de campo mais criativos ambicionam tanto. Somos mesmo loucos da cabeça, porque de facto o que fizemos foi uma grande loucura – pegar em quarenta miúdos e levá-los para o meio de um milhão e quinhentas mil pessoas não foi tarefa fácil, mas valeu todo o esforço. Fomos parte da enorme onda de alegria que se vivia em Lisboa, nos transportes, nas estações, nos parques e jardins havia sempre um aplauso para ensinar, uma música para cantar, ou uma dança para animar. No meio da multidão éramos guiados por uma cana de pesca com uma bandeira de Portugal e outra da GBZ. Tudo aquilo era tão novo, tão surreal, mas tão familiar ao mesmo tempo, tão gambozínico. A cada palavra do Papa Francisco a nossa missão era confirmada e o nosso espírito ganhava novo alento, para fazer aquilo que Jesus nos pediu, e que o Papa nos recordava: “amar o próximo”, que é uma boa maneira de descrever a essência dos Gambozinos.
Ora acordávamos com o “Sai da Tenda”, ora com o beat do Padre Guilherme, ora escutávamos o capelinho no BDS, ora escutávamos o Papa Francisco, ora jogávamos “Tens Mira” ora adormeciamos após (durante) a vigília, ora latrinávamos, ora esperavámos meia hora para usar uma casa de banho portátil. Foi assim a vida durante aquela semana, muitas horas de espera, muito suor, mesmo muito suor (esteve um calor infernal), muitas emoções, muitas pulseiras e brindes, mas sobretudo um coração muito cheio e memórias que ficarão para sempre.
Foi nas Jornadas Mundiais das Juventude, e nos Gambozinos, que eu percebi que a alegria mais autêntica e o amor mais verdadeiro nascem do encontro. Encontramo-nos nos 30 Anos?
António Lima
