Depois de um Viver a Agradecer que nos deixou a todos encantados, arrancámos em setembro com os preparativos das atividades mensais no Planalto do Ingote. Uma das prioridades que estabelecemos para este ano, foi a de conhecer melhor o bairro do Ingote e as suas necessidades, ao mesmo tempo que dávamos a conhecer os Gambozinos às suas familias.
Os Gambozinos chegaram ao Ingote para ser mais do que uma atividade no calendário. Queremos ser um espaço seguro. É ali, naquele lugar de encontro, que crianças do Bairro da Rosa, do Bairro António Sérgio e do Bairro do Ingote se juntam para mais do que brincarem, construirem ligações. O que mais nos impressiona é ver o crescimento do sentido de pertença. Eles já não vêm só “participar”; vêm porque sentem que aquele espaço também é deles. Nota-se na forma como chegam, na vontade contagiante com que aparecem ou nas mensagens que nos mandam entre atividades.
Com o passar dos meses, o bairro tem-se tornado cada vez mais “casa”, também para nós animadores. Não só porque vamos descobrindo melhor os seus cantos, mas sobretudo pelas caras que revemos nas ruas e pelas relações que se vão construindo. Aquilo que antes era estranho, hoje começa a ser familiar. É particularmente bonito perceber que não são apenas os miúdos que se alegram ao ver-nos, também as famílias se têm mostrado recetivas, próximas e curiosas, acolhendo-nos de uma forma que nos faz sentir verdadeiramente bem-vindos.
Há uma sensação de realização que nasce das pequenas coisas: um sorriso, uma participação inesperada, um miúdo que já chega confiante, ou uma mensagem de uma avó a agradecer a alegria que temos trazido à sua neta. São sinais simples, mas que mostram que estamos a semear algo com sentido.
Pessoalmente, este projeto de expansão dos gambozinos tem um significado muito especial. Os Gambozinos dizem-me muito, por tudo o que já me deram, pelo caminho que me ajudaram a fazer e pela pessoa que me ensinam a ser. Tenho agora a oportunidade de fazer parte desta expansão, e fazê-lo precisamente em Coimbra, a cidade onde nasci, torna tudo isto ainda mais especial. É como se, de alguma forma, pudesse devolver um bocadinho daquilo que recebi, tanto aos Gambozinos como à cidade de Coimbra.
Matilde Roque
