Proposta 6 – Desenhos para aprofundar o sentido da vida

Através de uma compilação de desenhos, o P. Nuno Branco, sj observa a realidade e convida-nos a mergulhar no mundo da arte e da espiritualidade. E em tempo de férias, questiona-nos: que dias são estes que nos são dados a viver?

Através de uma compilação de desenhos, o P. Nuno Branco, sj observa a realidade e convida-nos a mergulhar no mundo da arte e da espiritualidade. E em tempo de férias, questiona-nos: que dias são estes que nos são dados a viver?

Fotografia 1 – 18 agosto de 2017

Num fim de tarde, trinta minutos antes da hora da Missa, sentado numa cadeira de verga sozinho debaixo de um alpendre. Entre a pressa de um traço e a lentidão do descanso, as letras daquele livro pareciam mais demoradas, as frases mais deslumbrantes e a leitura mais pausada. Pedia adiamento. Como se aproximasse a despedida de um bom livro.

E por isso estranhamente por ser tão bom, o livro parecia que não queria ser lido.

 

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Fotografia 1

 

 

Fotografia 2 – 20 agosto de 2017

Trocam-se cartas, jogam-se estratégias, recolhem-se pontos, reclamam-se vitórias, contam-se histórias, faz-se um ou outro brinde.

Ali ao fundo, quase sem horários, a noite lembra-nos que o horizonte é dos maiores brindes desta vida. Distante, intocável e apetecível, vista e desejável.

Uma espécie de margem distante, uma promessa real.

E ainda bem.

Estranhamente, assim, mantém-se aberto esse nosso desejo.

 

 

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Fotografia 2

 

Fotografia 3 – 22 agosto de 2017

Uma criança de mão dada com o pai, perto da falésia.

Ele, o pai, parecia estar num museu. Ela, a criança, num parque. Mas, a falésia era a mesma. O pôr-do-sol também.

Ele apreciava um quadro e ela vivia na autenticidade e a simplicidade.

Mesmo assim e não tirando a mão do pai, a criança despediu-se do sol. Disse-lhe até amanhã.

E acenou-lhe.

 

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Fotografia 3

 

Fotografia 4 – 23 agosto de 2017

Passeava pela praia quando por pouco, tropeçava neste senhor.

Estava abstraído. Completamente abstraído. Tinha tudo diante de si. A natureza, a visão, o tempo, e talvez a eternidade porque quase eterna foi esta a posição em que se encontrava.

Não tinha ar de monge, místico ou eremita.

Estava de férias, simplesmente, isto. A aproveitar bem as férias e o tempo que lhe estava a ser dado e oferecido naquele instante.

E por isso, ele foi para mim motivo de escândalo. Pedra de tropeço. E desenhei-o.

Desenhei a liberdade de não fazer nada irrepreensivelmente bem interpretada por este senhor.

 

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Fotografia 4

 

Fotografia 5 – 26 agosto 2017

Que biografias se encontram ali no meio daquele areal? Que ano lhes foi dado a viver? Que ambição e esperança trazem consigo?

O que vê aquela mãe quando aprecia o filho a brincar na praia? O que sente aquele pai pela própria mãe que se movimenta com acrescida dificuldade? O que ambicionam aqueles namorados e o que prometem ainda aqueles avós?

 

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Fotografia 5

 

Que livros são lidos e que conversas são tidas?

Que dias são estes que nos são dados a viver?

Que Deus nos é mostrado nestes dias?

 

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.