O 6º dia do Encontro dos Superiores Maiores centrou-se num tema que está no cerne da liderança jesuíta: “O Papel do Superior Maior: Cura Personalis e Cura Apostolica”.
O Superior Maior dos Jesuítas deve ser, por um lado, apostolicamente orientado e, por outro, cuidar dos postulantes, com um olhar espiritual sobre cada companheiro. A Cura Personalis, isto é, o cuidado das pessoas e do seu percurso pessoal, espiritual e vocacional exige equilíbrio, presença e um tipo de escuta que vai para além da mera administração e gestão.
O P. Miguel Almeida, sj, Provincial dos Jesuítas em Portugal e o P. Mark Ravizza, Conselheiro Geral para a Formação, lideraram as reflexões sobre o tema do dia. Posteriormente, os Superiores Maiores foram divididos em grupos para aprofundar as reflexões e partilhar as realidades vividas, particularmente para aqueles a quem foi confiado o cuidado de homens e Províncias na Companhia de Jesus.
O P. Miguel Almeida, sj, enfatizou que cuidar da missão tem mais a ver com nutrir a vitalidade espiritual que sustenta todos os apostolados e empreendimentos jesuítas do que apenas com planeamento estratégico ou eficiência organizacional. “O Governo apostólico significa discernir prioridades para o corpo apostólico, proteger o carisma inaciano em contextos mutáveis e assegurar a fecundidade apostólica a longo prazo”.
Ambos destacaram a necessidade dos Superiores Maiores promoverem ambientes onde a criatividade, a colaboração e um profundo compromisso com a missão possam florescer. Isso, observaram, requer uma integração cuidada e intencional de ambas as formas de cuidado.
“A sinergia entre os dois é evidente”, explicou o Padre Ravizza.“ A Cura Apostolica não pode prosperar verdadeiramente sem um profundo compromisso com a Cura Personalis e vice-versa. Indivíduos vibrantes, bem apoiados e espiritualmente saudáveis encontram a sua realização mais profunda no contexto de um apostolado significativo e impactante.”
“Cura personalis e Cura Apostolica são uma única dinâmica em três níveis de integração: pessoal, relacional e institucional”, acrescentou o Provincial dos Jesuítas em Portugal, observando que “a manifestação da consciência é o lugar onde esses dois cuidados revelam essa unidade – cuidado pela pessoa e serviço ao corpo da Companhia”.
Em suma, o fardo e a benção da Cura Apostolica e da Cura Personalis transcendem meros paradigmas convencionais de liderança. A primeira garante fidelidade à missão, alinhamento estratégico e colaboração. A segunda prioriza a formação, o crescimento pessoal e o bem-estar espiritual. Juntas, elas formam duas dimensões inseparáveis da liderança jesuíta – dois lados da mesma moeda. E é vocação do Superior Maior manter esse equilíbrio com sabedoria, discernimento, compaixão e graça.
O Encontro de Superiores Maiores da Companhia de Jesus acontece em Roma, até ao dia 26 de outubro, e pretende refletir sobre a identidade e os desafios atuais da Companhia. Participam 78 provinciais, entre eles o P. Miguel Almeida, sj, Provincial dos Jesuítas em Portugal, bem como os presidentes de conferências de todo o mundo, juntamente com o Padre Geral, Arturo Sosa, sj. Está previsto um encontro com o Papa Leão XIV amanhã e, no final, o P. Geral Arturo Sosa enviará uma carta a toda a Companhia, partilhando as principais reflexões deste tempo de discernimento comum.
