Meio século depois de nascer em Coimbra, o Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN) celebrou este fim de semana 50 anos de vida. Fundado em 1975 pelos jesuítas P. Alberto Brito, P. Vasco Pinto Magalhães e P. António Vaz Pinto, o CUMN foi o primeiro centro universitário jesuíta em Portugal e continua, meio século depois, a ser uma “casa de portas abertas” para gerações de estudantes, permitindo uma formação não formal, mas pessoal e espiritual dos universitários, mais profunda a nível humanista.
Entre sábado e domingo, dias 11 e 12 de outubro, milhares de pessoas passaram pelo número 4 da Rua Almeida Garrett para celebrar o passado e o presente de uma instituição que tem marcado a cidade de Coimbra. Houve missa, concertos, convívio e reencontros e uma exposição – “Paredes com Vida”, patente no CUMN -, que revisita as muitas histórias que moldaram o “centro do centro” da pastoral universitária em Coimbra, desde a sua fundação.
No final da missa de ação de graças, celebrada no domingo, o atual diretor do CUMN, P. João Manuel Silva, sj, lembrou que, apesar das mudanças do tempo, o espírito da casa permanece o mesmo. “Os estatutos, escritos pelo P. António Vaz Pinto mantêm-se atuais: um modo de viver ao estilo de Cristo”, disse. Destacou ainda que o CUMN quer continuar a ser “uma casa aberta, onde queremos que todos sejam conhecidos pelo nome”, um espaço de liberdade, humanidade e autenticidade. Num tempo em que o ritmo da vida universitária é cada vez mais acelerado, o jesuíta reconheceu que os jovens continuam à procura de um lugar onde possam “ser autênticos, partilhar a amizade e serem desafiados a uma radicalidade mais profunda”, atentos a uma realidade que exige discernimento e fé madura.
Na homilia da eucaristia que foi presidida por D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, o P. Miguel Almeida, sj, provincial dos jesuítas em Portugal, agradeceu aos três fundadores e também ao P. José Craveiro e ao Irmão José Meijinhos, que marcaram o início da história do CUMN e “inauguram para nós o modo de ser jesuíta na contemporaneidade. O CUMN não é só o CUMN.” O Provincial dos jesuítas lembrou o conjunto de iniciativas que foram frutos desta árvore: a Comunidade de Vida Cristã (CVX), a GVX, o Camtil e tantas outras obras pastorais que tiveram aqui a sua génese. A “proximidade informal, a profundidade e a exigência” passaram a ser uma marca dos jesuítas, disse, que ajudaram a formar gerações de jovens atentos ao mundo e enraizados na fé. O CUMN, sublinhou, “sempre foi uma plataforma de passagem. Vamos ao CUMN para irmos embora. Somos enviados”. O P. Miguel Almeida terminou lembrando que mesmo que o centro universitário vá mudando e ganhando novas dimensões, “o essencial, a relação de coração a coração com Jesus Cristo não pode faltar” e por isso, no final da cerimónia, o CUMN foi consagrado ao Coração de Jesus.
Depois da fotografia de família nas escadas da Sé Nova, as comemorações terminaram com um almoço-convívio na Quinta da Esperança, em Cernache, antigo Colégio Apostólico da Imaculada Conceição (CAIC).
Na véspera, sábado, houve várias iniciativas culturais e lúdicas. Depois de um momento festivo no jardim do Sapientia Boutique Hotel, local onde nasceu o CUMN, bem no centro da cidade, o Colégio da Trindade acolheu a apresentação do documentário “CUMN – 50 anos”, realizado por João Pedro Filipe. O vídeo, disponível no canal YouTube do Ponto SJ, foi seguido de uma mesa-redonda e de um café-concerto com atuações de antigos e atuais membros da comunidade, entre os quais os padres Nuno Tovar de Lemos, sj, e Duarte Rosado, sj, e vários leigos ligados à casa.
