Arranque da 2ª edição da Residência Artística O Círculo, em Cernache - Ponto SJ

Arranque da 2ª edição da Residência Artística O Círculo, em Cernache

Arrancou a 2.ª edição de O Círculo, residência artística que acolhe seis jovens criadores na Quinta da Esperança, em Cernache, para dois meses de criação, partilha e vida em comunidade.

Começou ontem, 13 de abril, a 2.ª edição da Residência Artística “O Círculo”, promovida pela Provoca – Pastoral Juvenil e Vocacional dos Jesuítas em Portugal. Durante dois meses, seis jovens artistas irão viver e trabalhar na Quinta da Esperança, integrando um programa de criação artística e vida comunitária.

Até 14 de junho Amélia, Bianca Rêgo, Branca Cunha Ferreira, Jungeun Lee, M. Rosário Costa‑Pinto e R. Tavares, com idades compreendidas entre os 23 e os 32 anos, desenvolvem projetos autorais em áreas como cinema, pintura, música, performance e fotografia. Alinhada com o Anozero’26 – Bienal de Coimbra, a Residência 2 propõe um tema concreto: “Segurar, dar, receber”. Propõe habitar o tempo e a matéria como quem prepara uma mesa: juntando mãos, ideias e práticas num mesmo espaço partilhado. Uma cadência que parte da palavra ghabh – de origem proto-indo-europeia – que é matriz da palavra habitat. Esta sequência além de ditar ações estruturais da relação de qualquer sujeito, aponta para uma escolha. O ato de segurar empurra o sujeito para o efeito seguinte: dar ou receber. Entregar ou guardar. E daqui levantam-se questões pertinentes como é o caso de “o que fazer com o que me é confiado?” Talentos, graças, intenções, desejos. E toca, ainda, a própria função de ser sujeito, pois questiona a minha relação com o outro, com a arte, com o espaço e comigo mesmo. Segurar o habitat pressupõe o cuidado e a atenção destas relações. De novo, dar ou receber.

Como à mesa da refeição ou na mesa eucarística: lugar de encontro e partilha, O Círculo evoca o significado profundo que se estende da mesa da tradição judaico-cristã às mesas dos nossos quotidianos — espaços de vida comunitária, de acolhimento dos marginalizados e de celebração do essencial. O pão e o vinho – matérias de simplicidade e de verdade – lembram que a criação nasce daquilo que é comum, do gesto humilde de repartir o que há. Dar e receber daquilo que está seguro. Segurar, dar, receber – qual gesto primário – evocam o equilíbrio dinâmico onde o habitat se enraíza e manifesta.

Mais do que oferecer tempo e espaço de trabalho, O Círculo procura criar pontes entre artista e espetador. A residência culmina com uma apresentação pública dos trabalhos, no dia 13 de junho, em Coimbra, reforçando a vocação do projeto como lugar de criação, comunidade e diálogo entre arte, espiritualidade e vida.

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O Círculo é um ciclo de residências artísticas oferecido pela Companhia de Jesus a jovens artistas e que visa promover a produção artística e a criação de pontes entre o autor e o espectador.