A Paróquia da Encarnação, em Lisboa, está uma promover uma iniciativa que decorrerá ao longo de nove meses e que pretende promover a interação entre o silêncio e a escuta da oração e a realidade da cidade. O primeiro será no dia 24, terça-feira, às 21h, na Igreja da Encarnação, no Chiado.
A relação entre a oração e a cidade não é óbvia. O que pode trazer a oração ao centro da cidade — e o que pode trazer o centro da cidade à oração? Talvez a oração possa abrir na cidade um intervalo: um espaço-tempo privilegiado para o silêncio, para a escuta e para a atenção. Mas reciprocamente a cidade pode trazer à oração uma necessária encarnação na realidade presente, na alegria das suas diferenças, na dificuldade das suas tensões, no protesto face às injustiças.
A chamada “crise do religioso” nas cidades tem também um sentido positivo — é uma brecha de possibilidades, uma abertura a formas novas que ainda não ganharam nome.
Ao longo de nove meses (de março a dezembro), nos dias 24 às 21h, a Paróquia da Encarnação, no centro da cidade de Lisboa (Chiado), quer aprofundar estas possibilidades através de uma oração cristã ecuménica mensal, aberta a todos. Os nove meses coincidem simbolicamente com os nove meses de gestação de Jesus no ventre materno. Mais do que reencenar uma narrativa, interessa assumir o seu gesto fundamental: ‘gerar’ e ‘estar a ser gerado’. O itinerário pensa-se como um exercício de encarnação frágil e inacabada, que mantenha a simplicidade e o risco próprios do balbuciar infantil. Hoje, entre a oração e a cidade, o que geramos e o que se está a gerar?
