Alarga a estreiteza, é quanto faz a esperança
Desespero e esperança tocam-se intimamente. Na verdade, esperamos aquilo em relação ao qual desesperamos. É porque tendemos a desesperar que precisamos radicalmente de esperar.
Desespero e esperança tocam-se intimamente. Na verdade, esperamos aquilo em relação ao qual desesperamos. É porque tendemos a desesperar que precisamos radicalmente de esperar.
O livro “Quem quiser ganhar, há de perder – forças espirituais, estilos de vida, formas de Igreja”, do P. José Frazão Correia, editado pelas Paulinas, é lançado na próxima semana. Aqui fica um excerto, o texto de abertura da obra.
O ser humano, porque criado à imagem e semelhança de Deus-que-é-assim, aprende que a verdade de si mesmo não está em impor-se como um soberano prepotente nem em contemplar-se como Narciso estéril, mas que está em ser-para-outro.
Do Papa Francisco importaria atender à forma como as suas palavras nos puseram a falar uns com os outros, com os próximos e os distantes, dentro da Igreja e fora dela e como os seus gestos nos puseram a agir em comum.
A lógica do dom e do perdão que o tempo festivo retoma e celebra poderá orientar os passos que é preciso dar para a atravessar. O Jubileu oferece um tempo oportuno.
É verdade que os discursos são uma coisa, a adesão de coração ao seu conteúdo e ao seu espírito é outra e a deliberação e a implementação, contando com as resistências que sempre se encontram no plano teórico e prático, são outra ainda.
Por onde ir e como ir partindo do lugar real em que o cristianismo católico se encontra e das fraturas internas e externas com que se confronta?
O ponto de partida escolhido para este percurso de reflexão, que pretende «mais abrir do que fechar», foi o da escuta, começando por dar voz a mulheres. O ponto de chegada, esse, é deixado em aberto.
O Evangelho lê e ilumina a realidade, confirmando-a, alargando-a, denunciando corrupções, reparando-a. Em linguagem teológica, salvando-a.
Novas condições do mundo e inédito ordenamento das relações, pelo menos no mundo ocidental, são condições de base com as quais a Igreja deverá contar. Será nelas que o mandato bíblico a ler os sinais dos tempos continua vivo e válido.