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Ode ao médico exausto

Nós, que ouvimos e lemos as notícias, e que face aos números da triologia («infectados, internados, mortes») em menos de três meses transitámos da tensão para a habituação – quando não desprezo –, só nos podemos sentir pequeninos.

Tempos de uma justiça diferente

Se ontem estávamos certos da nossa divisão, amanhã, quando as diferenças regressarem, haverão de estar influenciadas por essa experiência de igualdade, de partilha de condição, de justiça, ainda que de uma justiça diferente.

Bom velho ano novo?

A vida nova vem com a velha, onde estão os nossos (pais, irmãos, filhos, amigos, colegas), onde moram os defeitos e as virtudes que nos condicionam, onde reza a história do que fizemos e prometemos fazer. Onde estão – numa palavra – as nossas circunstâncias que não são, nem devem ser, descartáveis.

O lítio lá de longe

Anima-os sobretudo o direito a serem tratados com hombridade – não serem ignorados, participarem das decisões relevantes que implicam com as suas terras, as suas gentes e as suas vidas. No fundo, serem respeitados.

Voto fútil

Se olharmos para lá do muro e baixarmos a guarda na hipersensibilidade, que apenas busca confirmação e consolo, surgem muitos mais consensos na nossa sociedade, do que parecem ditar os nossos preconceitos.

Férias judiciais?

O termo férias judiciais, aplicado ao período em vigor, criou a ideia errada de que nesta altura os profissionais do foro gozam de férias, não têm audiências, não sofrem com os prazos a correr, e, portanto, têm uma vida boa.

Nós e eles…

Tomando consciência das múltiplas ocasiões em que fomos e somos esses «eles», mesmo não sendo os tais políticos de que nos queixamos, entra a pergunta mais difícil: como somos «nós» quando somos «eles»?

Menos justiça e mais exigência

Talvez se possa dizer que entre ontem e hoje a natureza não mudou. Mas, seja por via da mediatização, seja por via de uma nova hierarquia de valores, há algo de diferente na justiça e na leitura que reservamos ao seu papel na sociedade.