Resistir à indiferença
A energia que temos é finita e, com o tempo, a maré de desastres consegue o que pretende: cansa-nos, cala-nos, conforma-nos.
A energia que temos é finita e, com o tempo, a maré de desastres consegue o que pretende: cansa-nos, cala-nos, conforma-nos.
Por isso, a história económica é marcada por ondas de especulação imobiliária. Produzindo bolhas financeiras gigantescas, este fenómeno especulativo acaba quase sempre por gerar colapsos creditícios que contaminam a economia no seu todo.
Se estão constantemente preocupados em “fazer conteúdo” para os seus seguidores — sejam dez, sejam 100 mil —, quando têm tempo para olhar com olhos de ver? Quando têm tempo para contemplar?
As práticas de sinodalidade constituem uma verdadeira profecia social face a tendências dominantes, oferecendo “um contributo peculiar na procura de respostas a muitos desafios que as sociedades devem enfrentar e na construção do bem comum.
O que acontecerá quando milhões de pessoas em todo o mundo forem declaradas inúteis? O que acontecerá aos que são demasiado pobres para consumir e completamente descartáveis para as necessidades de produção global?
Jesus nunca disse que veio para os perfeitos – bem pelo contrário. Porque insistimos em construir um reino de perfeição, esquecendo a multidão de que fazemos parte?
Aquele lugar do não de Deus onde Ele nos mostra o seu grande sim, onde Ele se revela e enche o breu com os sinais da sua presença. E essa é a beleza que nos é dada a viver agora. Não é toda, mas é a possível.
Temos de querer derrubar os muros e grades que prendem e isolam os mais fracos, dispormo-nos a colocar as mãos na massa para lutar por aquilo em que acreditamos, a verdade do mandamento novo.
O coelho corre atrás do tempo, frustrado por não ter tempo para viver o tempo. A suricata, anestesiada pela imagem, vive com os olhos presos ao ecrã. A águia, no seu voo lento, ecologicamente contempla, em busca do magis do outro.
Será que somos realmente uma sociedade de “brandos costumes” ou esta ideia começa a revelar-se um mito, encobrindo problemas estruturais e desigualdades não resolvidas?