A adultização das crianças em Portugal
As crianças que se comportam como adultos não o fazem só numa esfera privada, antes são exibidas – ou exibem-se em contas “supervisionadas” pelos seus responsáveis legais – nas redes sociais.
As crianças que se comportam como adultos não o fazem só numa esfera privada, antes são exibidas – ou exibem-se em contas “supervisionadas” pelos seus responsáveis legais – nas redes sociais.
Não me parece, de todo, aceitável que mantenhamos um modelo social em que a proteção da infância é uma antecâmara para a delinquência juvenil.
Parece-me preferível optar pela legislação que permite dar resposta a mais crianças e jovens, ainda que criando mais desafios ao sistema, do que manter um enquadramento mais limitado que elimina os desafios.
No Dia Europeu da Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual, o SPC lança rubrica especial que destaca formas de vulnerabilidade, mostrando como do encontro da minha fragilidade com a dos outros nasce o nosso maior poder: o do serviço
O salto lógico que é preciso dar, partindo destas conclusões, para chegar ao nosso slogan inicial é pequeno, mas encerra uma tremenda injustiça.
As crianças têm o direito à reserva da sua vida privada. Esse direito é oponível a todos os que o estejam a atacar, mesmo que essas pessoas sejam os pais. Longe vão os tempos em que os pais punham e dispunham dos filhos como entendiam.
Quando se discute a liberdade e a igualdade no seio da família, não se pode excluir liminarmente as crianças. Pelo contrário, enquanto sujeitos de direitos, as crianças têm direito à liberdade e igualdade, na sua própria medida.
Alguns partidos têm programas eleitorais que quase levam a crer que as crianças não são sujeito de direito: seriam parte de uma unidade maior – a família – que, essa sim, pode ser apoiada e protegida.
O filme tem o potencial para provocar reflexões que podem ser construtivas e valiosas, mas pode gerar, também, confusão e injustiça. Vejamos, então.
Uma mudança deste paradigma social só parece possível se for acompanhada de uma mudança de mentalidade. Urge reconhecer os efeitos sérios que a violência verbal pode ter, sobretudo nos mais vulneráveis, como as crianças e jovens.