PRIXM? O quê? E, porquê?

Astérix e Obélix, Jamel Debbouze, Pink Floyd, Picasso e Banksy para vos explicar a razão de ser do nome PRIXM e os objetivos do projecto.

Astérix e Obélix, Jamel Debbouze, Pink Floyd, Picasso e Banksy para vos explicar a razão de ser do nome PRIXM e os objetivos do projecto.

O Ponto SJ tem a alegria de começar a oferecer hoje, em português, os conteúdos produzidos pelo projeto PRIXM.

Inspirando-se nos resultados do trabalho de investigação sobre o texto bíblico desenvolvido na École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém, o PRIXM é uma iniciativa dos Frades Dominicanos (OP) que visa dar a conhecer a forma como a Bíblia deixou uma marca indelével na cultura, esclarecendo, ao mesmo tempo, o sentido dos textos.

Graças a esta parceria, o Ponto SJ publicará, cada domingo, um artigo sobre a Bíblia. Este primeiro, tomando como ponto de partida o Salmo 62, serve, sobretudo, para explicar o nome e os objetivos do projeto.


1. Como mel para a boca

No princípio, o projeto era para se chamar PRISMA – e já explicamos porquê em seguida. Mas, primeiro, uma outra marca já tinha reservado o nome, e, segundo, inspirando-nos em Numérobis (Jamel Debbouze), um dos personagens principais do filme Astérix e Obélix: Missão Cleópatra, que é incapaz de pronunciar corretamente os nomes dos gauleses, decidimos dar um nome impronunciável ao projecto.

“Amsterixm…”, repete Numérobis no filme:

 


2. Um texto bíblico

Uma vez falou Deus,

E duas ouvi:

“A Deus pertence o poder”.

A Ti, Senhor, pertence a bondade,

Tu dás a cada um segundo as suas obras.

Salmo 62:12-13


3. O esclarecimento

PRIXM tem a sua origem na palavra “prisma”, que designa, entre outras coisas, um elemento ótico transparente com superfícies retas e polidas que refratam a luz.

E vocês dirão: “Certo, obrigado pela definição, mas porquê um prisma?”

Porque a Bíblia guarda uma Palavra luminosa que, atravessando o prisma que são as palavras humanas, se refrata numa imensidão de raios diferentes:

  • nas diferentes versões textuais (em hebraico, grego, latim, copta, siríaco, etc.);
  • nas distintas interpretações oferecidas pelos Padres da Igreja, ou pelos rabinos, ou ainda pelos grandes místicos;
  • em inumeráveis obras de arte, na literatura, na filosofia, etc.

E, sim, os Pink Floyd também contribuíram para escolha do nome…

 

Pink Floyd, The Dark Side of the Moon (1973)
Pink Floyd, The Dark Side of the Moon (1973)

 

Pode dizer-se que a Bíblia é um prisma que refrata os seus raios de luz através de três faces:

1. O texto: as estruturas gramaticais, as formas literárias, o vocabulário utilizado, tudo isto é portador de sentido. É isto que tentaremos mostrar-vos, explicando as raízes gregas ou hebraicas de certos termos ou revelando as possíveis razões da utilização duma determinada figura de estilo.

2. O contexto: a Bíblia é uma coleção de histórias que nasceram num contexto espácio-temporal e cultural muito concreto, que é preciso conhecer para bem compreender os textos. Por exemplo, quando o livro do profeta Isaías fala de Senaquerib, não é certo que todos reconheçam o personagem. E, portanto, saber quem ele foi e o que fez, dá outro peso às palavras. Por isso, cada semana, tentaremos trazer para a discussão do texto bíblico uma ou outra referência cultural, afim de abrir as portas à compreensão da mundividência partilhada pelos autores e leitores antigos.

3. A receção: o texto é também portador de um sentido que só emerge quando o leitor se aproxima dele a partir da sua própria sensibilidade e história. Cada pessoa lê esta história única de uma forma única. É isso que exprime o Salmo 62,12: “Uma vez falou Deus, duas ouvi”. Cada vez que o texto é lido, emerge uma nova camada de sentido. Para vos convidar a essa (re)leitura, tentaremos mostra-vos como é que os grandes génios artísticos interpretaram o texto bíblico nas e pelas suas obras. Também vos ofereceremos os ecos dos Padres da Igreja e, porque o Corão também releu o texto bíblico, tantas vezes através da lente da literatura apócrifa de inspiração cristã ou judaica, não deixaremos de vos mostrar as diferenças.

 

Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), A pomba da paz (c. 1950), Museu de arte moderna da cidade de Paris, Paris, France.   |   Banksy (1974- ), A pomba da paz de colete anti-balas (2007), Graffiti no muro junto ao “Túmulo de Raquel”, Belém, Cisjordânia.
Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), A pomba da paz (c. 1950), Museu de arte moderna da cidade de Paris, Paris, France. | Banksy (1974- ), A pomba da paz de colete anti-balas (2007), Graffiti no muro junto ao “Túmulo de Raquel”, Belém, Cisjordânia.

 

E eis um exemplo paradigmático da receção da Bíblia nas artes! Imediatamente a seguir à Segunda Guerra Mundial, e para exprimir o seu desejo de paz, Picasso utilizou dois símbolos bíblicos (Génesis 8,10-11):

  • A pomba, símbolo do Espírito da paz.
  • E o ramo de oliveira, símbolo da renovação depois da destruição.

Na sua obra mural, Banksy, célebre figura do Street Art inglês, utiliza esses mesmos símbolos, mas agora no contexto do conflito israelo-palestiniano.


4. E ainda uma palavra final…

PRIXM vai oferecer-vos, cada semana, uma pequena “porta de entrada” para este monumento literário, dando-vos a ocasião de descobrir a forma como a Bíblia moldou a história da humanidade. E, como um longo convite, aqui vos deixamos com uma frase magnífica:

“Quando falamos do começo do mundo, pensamos imediatamente em segredos, a um certo esoterismo. Ora, a Bíblia não tem nada de esotérico. Certo, a verdade está escondida e não se revela à primeira vista. Mas, ela revela-se a todo aquele que aceitar demorar-se o tempo da paciência”.

Citação extraída do documentário sobre o exegeta Paul Beauchamp, realizado por Michel Farin (O relato bíblico das origens, 1994).

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.


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Um projeto cultural, destinado ao grande público, da responsabilidade dos Frades Dominicanos da École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém.


Sob a direção dos Frades Dominicanos de Jerusalém, mais de 300 investigadores do mundo inteiro estão a desenvolver um trabalho de tradução e anotação das Escrituras, que será oferecido numa plataforma digital que recolherá mais de 3000 anos de tradições judaico-cristãs. Para saber mais, clicar aqui.

PRIXM é o primeiro projecto, destinado ao grande público, fruto deste trabalho. A iniciativa quer estimular a redescoberta dos textos bíblicos e dar a conhecer tudo o que de bom e belo a Bíblia inspirou ao longo dos séculos e até aos nossos dias.