Playlist de Tiago Cavaco para aprender o desconfinamento

Sem polimentos que disfarcem o essencial. Palavras cantadas que não deixam que passemos a vida a desculparmo-nos... Vamos a isto! Carreguem no play e ouçam o que o Tiago Cavaco escolheu para nós.

Sem polimentos que disfarcem o essencial. Palavras cantadas que não deixam que passemos a vida a desculparmo-nos... Vamos a isto! Carreguem no play e ouçam o que o Tiago Cavaco escolheu para nós.

Rapsódia para Contralto, Joahannes Brahms
Vim parar à Rapsódia para Contralto, de Brahms, graças ao magnífico livro “Darkness Visible” de William Styron. Long story short: foi à custa da Rapsódia para Contralto que William Styron conseguiu resistir a matar-se numa estação em que as trevas pareciam tudo o que havia para ver.

 

“Fool’s Gold”, Lucy Daucus
Diz-se que tendemos a regressar à música da nossa infância. Não passo muito tempo sem country, é facto. E há o country antigo e o novo, no qual podemos encaixar uma figura como Lucy Daucus. “Fool’s Gold” anda em repeat.

 

“Namorados de Lisboa”, Carlos do Carmo
Topem este cliché: quando no ano passado estivemos quase cinco meses nos Estados Unidos ouvia Fado para sobreviver/piorar à/a saudade. O disco que mais rolou foi “Um Homem na Cidade” do Carlos do Carmo, do ano em que nasci, 1977. “Namorados de Lisboa, sempre apaixonados, mesmo que a tristeza doa”. Gosto de pensar que, enquanto protestante, não encaixo em grande parte daquilo que o meu país é. Mas, depois, a distância repõe a verdade. Pior do que ser português é, sendo-o, não o admitir.

 

“Balada”, Diabo na Cruz
Quando ouvi o meu amigo Jorge a tocar esta “Balada” no Coliseu senti, saloiamente, que estava lá no palco com ele. Onde o Jorge anda, também quero andar. É uma canção enorme porque se resume a dizer a verdade que se aplica aos momentos bons e aos momentos maus. Cantar “isso basta” é outra maneira de indicar que já descobrimos o que é eterno.

 

“Follow God”, Kanye West
“I was looking at the ‘Gram and I don’t even like likes” – é isso. Ficar fechado em casa e ficar em fechado em “gostos” no ecrã é uma luta para mim. O segredo é mesmo seguir Deus.

 

“Próximo Passo”, Pavão
Descobri o Pavão num comentário do YouTube. Fiquei fascinado, como fascinado fiquei quando há mais de 20 ouvi o Samuel Úria pela primeira vez e quando há mais de 20 anos ouvi o Bruno Morgado pela primeira vez (e mais tarde se repetiu com os Pontos Negros). Percebem o ponto: tenho a mania que descubro talentos e os mostro ao mundo. O Pavão é um miúdo da Linha de Sintra e que usa os estilos que estiveram na moda no tempo dele (rap, nu-metal) para fazer música que vai além desses estilos. Esta é uma belíssima canção apocalíptica.

 

“Juro Que Não Morro”, Tiago Cavaco
Pelos vistos, já se tornou uma tradição ter o atrevimento de sugerir uma canção nossa. No meu caso, partilho a última que publiquei. Chama-se “Juro Que Não Morro” e é sobre morrer por dentro (a miudagem fala agora em “watch people die inside” no YouTube). Mas também é acerca do que a Bíblia chama de nascer de novo.

 

Fotografia de capa: Tyler Milligan –  Unsplash

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.