Brotéria sai do papel e muda-se para Bairro Alto

O espaço inclui galeria, livraria, cafeteria com pátio e salas para conferências ou encontros, entre as quais se destacam dois grandes salões. O edifício acolherá ainda a famosa e vasta biblioteca da Brotéria, com 160 mil volumes.

O espaço inclui galeria, livraria, cafeteria com pátio e salas para conferências ou encontros, entre as quais se destacam dois grandes salões. O edifício acolherá ainda a famosa e vasta biblioteca da Brotéria, com 160 mil volumes.

Depois de quase 120 anos como revista de cultura, a Brotéria saiu do papel e mudou-se para o Bairro Alto com o desejo de se tornar no ponto de encontro entre a fé cristã e as culturas urbanas contemporâneas. O novo espaço cultural dos jesuítas, situado no coração de Lisboa, abrirá ao público gradualmente até ao próximo ano, no antigo Palácio dos Condes de Tomar, e resulta de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Esta quarta-feira, dia 2 de outubro, foi assinado o protocolo que define esta parceria entre a Companhia de Jesus e a Santa Casa, numa cerimónia que
assinalou também a entrega das chaves da casa aos jesuítas e contou com a presença do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Dr. Edmundo Martinho, do provincial dos Jesuítas em Portugal, P. José Frazão Correia SJ e do Cardeal-Patriarca de Lisboa, Senhor Dom Manuel Clemente.

Este é um projeto em construção há dois anos, mas que começou a ser sonhado e pensado há quase trinta. Abre oficialmente em janeiro, com uma programação que nasce da relação com a rua, uma vez que a actividade cultural da Brotéria procurará dar voz às preocupações das pessoas que vão entrando no jogo cultural que é oferecido, onde há espaço para o tempo, a espontaneidade e a discussão. A revista continuará a sua publicação regular.

A Brotéria abre oficialmente em janeiro, com uma programação que nasce da relação com a rua, uma vez que a actividade cultural da Brotéria procurará dar voz às preocupações das pessoas que vão entrando no jogo cultural que é oferecido, onde há espaço para o tempo, a espontaneidade e a discussão.

“O que acreditamos é que a relevância da Brotéria enquanto agente cultural depende de uma atenção constante à realidade urbana, a partir de uma multiplicidade de ângulos, sempre cimentados em cinco vertentes de actividade: investigação, diálogos, comunicação, espiritualidade e galeria”, explica o P. Francisco Mota SJ, diretor da Brotéria, acrescentando que “para isto que isto aconteça, temos um grupo de pessoas a que chamamos Observatório, que reúne com regularidade para auscultar a realidade. Precisamos de ir alimentando uma reflexão conjunta que garanta a vitalidade, a relevância e a organicidade de toda a actividade promovida pela Brotéria. Depois é a partir deste olhar colectivo e plural que resultam novas iniciativas e de onde saem os temas explorados na programação. Cada tema é isto: um processo de pesquisa e reflexão integrada, dinâmica e coletiva que toma partido do carácter multidisciplinar do centro e da programação para procurar possíveis caminhos para a pergunta inicial trazida pelo exercício da auscultação da realidade.”

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Novo espaço cultural situa-se no Palácio dos Condes de Tomar, em frente à Igreja de São Roque

O espaço inclui galeria, livraria, cafeteria com pátio e salas para debates, conferências ou encontros, entre as quais se destacam dois grandes salões,
ambos com tectos trabalhados e capacidade para 80 pessoas cada, e a Sala dos Couros, o ex-líbris do edifício, com paredes totalmente forradas a couro trabalhado. O edifício acolherá ainda a famosa e vasta biblioteca da comunidade jesuíta, que contém mais de 160 mil volumes que ficam, agora, mais acessíveis ao público. O último andar do edifício acolherá a Casa da Comunidade de Jesuítas envolvida na vida da Brotéria.

“O que acreditamos é que a relevância da Brotéria enquanto agente cultural depende de uma atenção constante à realidade urbana, a partir de uma multiplicidade de ângulos, sempre cimentados em cinco vertentes de actividade: investigação, diálogos, comunicação, espiritualidade e galeria”, explica o P. Francisco Mota SJ, diretor da Brotéria.

Da investigação ao debate, da arte à espiritualidade, passando pela comunicação digital e em papel, a Brotéria reúne pessoas de áreas e sensibilidades diferentes, assim como diferentes instituições, com o desejo de gerar transformação social. Será dinamizada por uma equipa de jesuítas em colaboração com pessoas das mais variadas idades e áreas de interesse.

Para a sociedade, a Brotéria espera ser um lugar de diálogo plural, inteligente e criativo, onde o trabalho cultural tenha impacto social, seja
através da sensibilização, da investigação e de publicações, e também de projectos de intervenção local. Para a Igreja, a Brotéria espera ser um lugar
de reflexão teológica e estética, com uma linguagem contemporânea.

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Biblioteca da Brotéria, com mais de 160 mil volumes, será instalada no novo espaço cultural

Mais informações em www.broteria.org.

Fotografias: Madalena Meneses

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.