Semana Santa
Como seríamos pobres, tristes e desolados, sem a manhã de Páscoa. Como ficaríamos perdidos, corpos sem alma, vidas sem vida. Morte sem eternidade.
Como seríamos pobres, tristes e desolados, sem a manhã de Páscoa. Como ficaríamos perdidos, corpos sem alma, vidas sem vida. Morte sem eternidade.
Há algo de imaculado em todas as nossas mães. Talvez porque o seu amor é assim mesmo, sem mácula.
Nada disto são palavras bonitas, conjugadas com cuidado, escritas, apagadas e reescritas. São dúvidas, questões, certezas e incertezas. Revelam vidas e mortes, fracassos e sucessos, gente que cai e gente que se ergue.
Dirão que não há democracia sem luta política. Eu digo que a democracia precisa de paz para ser plena, eficaz e duradoura. A paz não significa falta de confronto, de crítica, da troca de ideias que nos faz crescer como pessoas.
Não defendemos a causa da vida, fazendo videoclips e anúncios com enfermeiras agressivas e zangadas, com as mãos manchadas de sangue e caixotes do lixo para onde atiram sacos de plásticos, com restos de bebés.
Esta manhã, no bairro da Serafina, ultrapassou tudo o que vivi naquela semana inesquecível, onde os acontecimentos se sucederam, numa beleza e magnitude que todos reconhecem. E percebi, de modo palpável, o que significa amar sem medida.
Enquanto cidadã, tenho obrigação de estar atenta, de não fazer juízos precipitados nem de calar jogos políticos que vejo ocorrer à vista de todos, como se não tivéssemos memória nem soubéssemos entender os resultados que se querem alcançar.
Mas quando os dias são escuros, quantos de nós não olhamos para o céu, recordados da última Primavera, quando os dias não se entendem, quantos de nós não procuramos o sepulcro vazio da manhã de Páscoa?!
Teria vislumbrado Maria, naquela terra distante, pobre, quase esquecida, do outro lado do grande oceano que nos separa? Com o seu bebé nos braços, atenta a quem a acompanhava, caminhava como quem sabe o seu destino.
A humanidade tem uma capacidade extraordinária de se reconstruir e reencontrar. Para quem tem fé, é tempo de pedir a Deus que nos ajude a viver inquietos na busca da verdade, dispostos a construir a paz e a sentir como nossa a dor do outro.