Como arranjar tempo para Jesus na confusão do dia-a-dia?

Consola-me acreditar que esta não pode ser a questão central na construção do Reino.

De Sophia de Mello Breyner Andresen:

“Se tanto me dói que as coisas passem,

É porque cada instante em mim foi vivo

Na luta por um bem definitivo

Em que as coisas de amor se eternizassem.”

Seguir Jesus, e, sobretudo, viver com Ele o dia-a-dia, não é fácil. É essencial tomarmos consciência desta condição, para que a fé não se limite a um adereço ou qualidade superficial. Só procurando o encontro íntimo e verdadeiro com Jesus, quer interior, quer nos outros, é que vivemos plenamente. De facto, de que vale falar, cantar ou berrar o Amor do Pai (como autênticos Gambozinos), se não temos o nome de Jesus gravado no coração?

Consola-me acreditar que esta não pode ser a questão central na construção do Reino. Somos amados por um Pai que não nos cobra em tempo, ações ou pecados. Não caiamos na tentação de dificultar a relação com Jesus, martirizando a aparência de um Deus exigente, que nos suplica o sacrifício de “arranjar tempo para Jesus na confusão do dia-a-dia”.

Este Amor, que nada pede em troca e é loucamente mais forte que tudo, convida-nos, mais do que a reservar tempos fixos de oração no caótico do quotidiano, a viver com Ele, vivê-Lo e a deixar que Ele viva em nós cada segundo, por mais insignificante que pareça. Só assim é que cada instante em nós é vivo, sempre com Jesus e para Ele, para que tudo se eternize em Amor.

Lucas Gonçalves